Depois da ivermectina, Álvaro Dias apresenta sua última cartada negacionista antivacina pensando em se viabilizar para 2022

Não faz muito tempo, apesar de alguns tentarem esquecer, o prefeito Álvaro ia para as rádios de Natal receitar ivermectina contra covid. Usando da condição de médico, chegava a mencionar as (falsas) melhores dosagens e tudo mais sobre a ingestão de remédio para piolho. “Voce ficará protegido contra a covid”, não cansou de enganar. O CRM, sempre coerente, fechou os olhos para a ação ilegal. O resultado gerado foi a cidade com os índices piores do que a média do RN e do Brasil, os hospitais e caixões cheios de quem acreditou no obscurantismo. O LAIS/UFRN constatou que a maioria dos internados por covid no RN era de usuários do vermífugo. A falsa sensação de segurança jogava o sujeito de peito aberto na rua.

Mas Álvaro não parou. Farejando os desejos do bolsonarismo, durante os picos anteriores da pandemia, causou confusão na cabeça das pessoas editando decretos que seriam depois anulados pelos tribunais superiores, já que vale aquele que é mais voltado para o combate ao vírus. Ele não participou das constantes reuniões de planejamento com assembleia, governo, prefeituras e MPs, pensando em usar o momento para emplacar uma candidatura própria ao governo do RN, seu grande sonho, através da tentativa de agradar o negacionismo federal e nadar no antipetismo.

Pandemia? Vírus? Ora, desde suas andanças por Caicó, depois passando pela assembleia e agora na prefeitura que caiu no seu colo, está escancarado seu modus operandi. Sonha com o poder diuturnamente e fará o que for necessário para tanto. Seu eleitor em potencial não quer se vacinar? Ou quer se misturar com não vacinados, que transmitem mais o vírus e por mais tempo? A canetada vem na hora. Vai atrasar vacinação e levar mais gente para o hospital, elevando custos sociais, sanitários e econômicos? Vai. Ora, mas a sua postura e seus objetivos são claros. Sempre foram.

A sua boa nova foi editar um decreto municipal basicamente contra o passaporte vacinal, para se contrapor ao do governo estadual. Consequências? Não vai derrubar o do RN, pois o seu é escancarador. Só que vai embaralhar a mente do cidadão natalense. E é exatamente o que ele quer: produzir barulho, possivelmente polarizar e se viabilizar.

Álvaro não se importa em criar uma ambiência antivacinação, na medida em que sua tentativa de tumultuar o passaporte pode desacelerar o crescimento da procura pelo imunizante. Ocorreu um incremento de 95% na vacinação em uma semana após a implementação do passaporte. Pessoas que sequer tinham tomado a primeira dose, portanto principais candidatas a roteadores de vírus e ao agravamento hospitalar, entraram na fila e se imunizaram.

Cabe repetir, Álvaro nunca ligou para isso. Assim agiu de forma populista, iludindo com o paraqueda furado da ivermectina já no primeiro pico de junho e julho de 2020. Desarticular o passaporte agora, algo que estava dando certo, não representa nenhuma diferença. Trata-se de sua última cartada na tentativa de se tornar candidato, mandando mais um alô vermelho para quem de direito. Vermelho que, apesar de ter a cor de sangue, não é comunista e conta com o apoio do comitê científico de Natal.

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