Desafio aos bolsonaristas: que projeto o STF impediu do presidente executar?

O núcleo duro do bolsonarismo já ergueu novo inimigo imaginário. Ao inves da admissão de que apostaram em um presidente incapaz de gerenciar algo e extremista que só produz divisão, a culpa da crise brasileira é do Supremo Tribunal Federal. O tribunal não deixa o presidente governar. Trata-se de uma afirmação sempre presente entre os seguidores do chamados por eles de Mito, assim em maiúsculo como se fosse um ungido.

Daí que perguntar – quais foram os projetos que o STF impediu do presidente Jair Bolsonaro executar? Há algo que ele queira fazer sobre a crise econômica, a inflação e o desemprego que esteja paralisado pelos ministros? Pelo contrário. Não fosse toda a pressão do congresso e do Supremo, a vacinação teria atrasado ainda mais do que atrasou e mais gente teria morrido.

O fato é que não há impedimento algum. O presidente não consegue dialogar com os setores plurais da sociedade. Não tem projeto para nada, além de sua constante guerra cultural. Por isso a necessidade de continuar erguendo inimigos e mais inimigos, com a perspectiva de manter a base coesa e terceirizar sua inação.

O outro ponto absolutamente bizarro é a ideia de que há o fim da liberdade de expressão pelas vias dos tribunais. Provoque, cara leitora, e pergunte se ameaçar ministros de morte com armas empunhadas e fazer vídeos ensinando militares a fabricarem bombas, como Roberto Jefferson fez por mais de uma oportunidade em suas redes sociais, é passível de ser entendido como direito de opinião em algum país civilizado do mundo. Se organizar a invasão e o ataque de poderes constituídos recebem a proteção como direito em algum canto portador de estado de direito, como se banalizou entre blogs e sites bolsonaristas. Eles sabem que não.

Daí que, basta provocar pelo diálogo, para começar a ouvir as reais intenção, que são nada mais do que puro golpismo – querer que o presidente passe por cima de tribunais e não seja chamado a responder pelas leis do país.

Há, por fim, uma inclinação típica de movimentos populistas. Como se cria uma indissociação entre o militante, que se acha o único ser do povo real, e o líder, criticar o presidente significa confessar o próprio erro, algo carente no horizonte de quem imagina ser a elite política e intelectual do Brasil.

Deixe um Comentário