Dilma, Temer, Bolsonaro e os “estelionatos eleitorais”

A noção de estelionato eleitoral, bastante utilizada contra Dilma Rousseff em 2015, sumiu. Quando Michel Temer assumiu com agenda desconexa da aprovada em 2014, nada do enquadramento pela via do “estelionato” aparecer. Também não surge contra o atual presidente Jair Bolsonaro e o agora seu “centrão”. Motivo do sumiço do ataque com Temer e Bolsonaro? Reformas.

A retórica era a seguinte em 2015 – Dilma vendeu um peixe na eleição e entregou outro após o pleito. Ocorre que a contradição se expressava na falácia decorrente desse raciocínio – portanto, Temer deve agora sentar na cadeira presidencial e aprovar reformas ainda mais distantes do que o eleitor aprovou em 2014. Ora, na prática, Michel Temer dobrou o “estelionato”. Afinal, o eleitor de 2014, que também elegeu o então citado vice-presidente, não era a favor de reformas. Pelo contrário.

E o alinhamento com o senador Ciro Nogueira na casa civil, por que também não é chamado de estelionato eleitoral contra Jair Bolsonaro? Porque a aproximação abre a possibilidade para a aprovação de novas reformas. Daí o silêncio. As críticas vêm mais da esquerda do que das vozes do “mercado” e da imprensa. Mas ele não disse que jamais se aliaria a eles, ao sistema? Estelionato? O ataque não vem.

A esperança dos desejosos por novas reformas é a de que Ciro Nogueira destrave a resistência sofrida pelo presidente no senado. Daí não vermos investidas efetivas contra essa interação. A esperança é que, com ele na articulação política, o que Arthur Lira vem fazendo na Câmara, passando muitos projetos de alteração de legislações em diversas áreas, encontre também bom encaminhamento na casa revisora em que Ciro tem bom trânsito.

A ideia de estelionato, portanto, foi a forma discursiva encontrada para deslegitimar o mandato da presidente Dilma Rousseff em 2014 e de empurrá-la para mudanças na área trabalhista e previdenciária, que ela acabaria fazendo de uma forma mais suave do que as engendradas por Michel Temer e, agora, por Jair Bolsonaro.

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