Dissonância cognitiva na análise política no RN

Há um completo descolamento da realidade na maioria das análises políticas do RN. O efeito é semelhante ao que ocorreu em 2018. Naquele pleito, com duas vagas para o senado em disputa, a maioria dos articulistas esperava uma vitória de Garibaldi Alves e Geraldo Melo. Outros chegaram a preconizar uma virada em favor de Carlos Eduardo ao governo. O resultado é conhecido.

Este blogueiro tomou muita porrada e foi alvo de fake news durante a campanha por ir de encontro ao consenso sem qualquer base factual. Era evidente que Garibaldi Alves iria pagar na eleição pelo seu apoio ao governo Michel Temer, extremamente mal avaliado até então. As reformas aprovadas naquele momento também cobraria o preço eleitoral. Geraldo Melo e Carlos Eduardo também não tinham base para se sobreporem ao crescimento das candidaturas de esquerda naquele momento. Styvenson se elegeu pelo espírito da “não política”, Fátima e Zenaide souberam representar a reprovação do eleitorado potiguar contra as reformas e pelo que estava ocorrendo na gestão Temer.

A dissonância cognitiva mais uma vez se impôs no RN. Ignora-se basicamente o fundamental – hoje o presidente Jair Bolsonaro é um anti-eleitor fortíssimo. E isto é ainda mais significativo na nossa região em que Lula, que lidera todas as pesquisas nacionais, é sempre bem pontuado. Este dado elementar deveria ser posto em qualquer prognóstico estadual. Mas não é.

Sim, é possível que o cenário se altere? A possibilidade é pequena, mas existe. Ocorre que a campanha do ano que vem não se processará mais no âmbito cultural, como aconteceu em 2018. Será a eleição da crise econômica, da perda do poder de compra e da inflação. Os eleitores querem resposta pra isso e não está dado no horizonte que ocorrerá. As projeções econômicas vao de nulas a negativas para o ano que vem. O que se desenha para 2022 é que será difícil sair nas ruas defendendo o presidente Jair Bolsonaro.

Deixe um Comentário