É da responsabilidade de um governo de esquerda executar aquilo que gestões de direita não foram capazes de fazer: modernizar a máquina estadual e a economia potiguar

Após muitas gestões gastadeiras e incapazes de implementar uma modernização da máquina pública, para permitir o retorno do RN ao crescimento, eis que a tarefa caiu nas mãos de um governo de esquerda e é irônico que, sempre taxado de radical, o grupo no poder execute o projeto sem medo.

Não sei de onde aqueles que tinham resistência a um governo de Fátima Bezerra tiraram que ela não agiria de modo moderado contra a crise, fazendo o que fosse necessário. Em nenhum momento se desenhava no horizonte alguma solução heterodoxa. O último sinal do esquerdismo radical isolacionista da petista se deu na eleição municipal de Natal de 1996, quando a então candidata preferiu perder a eleição a ter de aceitar o apoio de Aluízio Alves. De lá pra cá, me parece claro que o entendimento da importância das forças políticas começou a fazer parte do seu espectro central de análise. Agora se sabe que o pé atrás de alguns estava fincado em fumaça.

Em seu papel de oposição, o PT do RN também jogou como um ator racional que nessa condição atua: pregando a defesa do impossível, para colher o possível e fazer seu grupo crescer. Nada diferente de Rosalba quando esteve na mesma trincheira, Robinson, Alves ou Maia.

Mas a ironia persiste. Foi na atual gestão que tivemos a aprovação de uma proposta de emenda à constituição, que limita o crescimento dos gastos, inclusive dos poderes; e agora a importante modernização do programa de apoio ao desenvolvimento da indústria (PROADI), transformando-se em programa de estímulo ao desenvolvimento industrial do RN (PROEDI).

O Proadi era um programa ultrapassado gerador dum estado menos competitivo em relação aos vizinhos e dispendioso. O PROEDI nos igualará ao Ceará, Paraíba e Pernambuco, criando empregos e economia aos cofres públicos. Ao invés de dar dinheiro para depois pedir de volta, o que proporcionava um giro oneroso para as empresas e mais caro para o Estado, a isenção direta é mais ágil, atrativa e barata.

O processo de modernização da máquina e da economia potiguar não pararão por aí. Diante da desaceleração da PEC do Senado que incluiria estados e municípios na reforma da previdência, em face da proximidade das eleições municipais – senadores e principalmente deputados não querem engolir esse desgaste agora -, um membro do Governo confidenciou a esse modesto blogueiro que eles não irão varrer o problema da previdência para debaixo do tapete. Estão cientes de que encontrarão uma batalha duríssima na assembleia legislativa do estado, mas vão mandar o projeto para escrutínio e aprovação na casa devida.

E, por fim, me disse a fonte, trabalham para se adequar ao plano de recuperação fiscal – o plano Mansueto -, com enxugamento e venda de ativos.

O cavalo já estava selado quando a eleita governadora Rosalba Ciarlini pegou uma máquina esfacelada das mãos de Wilma e Iberê. Porém, ela se perdeu sem fazer qualquer tipo de ajuste e passando o bastão, com aumentos salariais incapazes de serem cumpridos, para Robinson Faria. Este, que poderia ter garantido sua reeleição com um duro ajuste fiscal, preferiu esperar candidamente por um apoio federal que nunca chegou.

Se Fátima almeja a reeleição – e todo político que se preze tem esse sonho – terá que colocar em prática aquilo que desde 2011 já era necessário fazer para o RN avançar. A bola está com ela e, pelo jeito, não deixará passar a oportunidade.

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