É preciso proteger, valorizar e dialogar com a direita liberal moderada brasileira

Quando mais jovem achava que ser de esquerda era algo mais ético do que ser de direita. Vi depois, com alguns anos de estrada, que a coisa não é bem. Na verdade, bem distante. Tal postura não rebaixa nem engrandece nem um lado nem o outro. Só apenas enfatiza que há conduta bem intencionada e virtuosa nos dois espectros. Assim como, digamos, questões problemáticas. A diferença é sempre política.

Percebo – o que pode ser um erro de avaliação, óbvio -, no entanto, que é um olhar bem comum essa ideia de que o “nosso lado” está mais carregado de boas intenções universais, enquanto o outro é mesquinho e particularista.

No Brasil, a direita, como bem mostrou José Maurício Domingues e Jessé Souza, foi associada às noções de ditadura e de ser antipobre, tornando-se um senso comum supostamente douto. Trata-se, no entanto, de algo falso e sem base factual.

Há uma direita no Brasil racional, moderada e adepta dos valores democráticos. Não. Não é essa direita xucra, que se vende como única legítima e hoje manda no país. Claro, com uma forcinha da própria esquerda, que tenta assim resumi la, para enfraquecer todo esse espaço ideológico. A melhor forma de vencer alguém é partir de uma classificação que lhe seja vantajosa.

Com essa direita – a moderada – é possível conversar, aprender e dialogar. Sem ela, acontece o que vimos em 2018. Um debate entre democracia x barbárie com as consequências conhecidas. O reconhecimento e proteção do opositor democrático é uma forma de não validar o inimigo defensor de ditaduras.

Os dois governos de Lula foram muito bons. É inegável. Mas assim ocorreram também pelo fundamental plano do Palocci de estabilização da economia implementado em 2003. Naquele momento, um economista mais a esquerda, de “nova matriz econômica”, teria atrapalhado tudo.

Falo tudo isso sem a intenção de levantar uma direita e diminuir quem é de esquerda. Pelo contrário. Sei de que ponto discurso e com quem majoritariamente troco informação. Minha bolha nas redes sociais é mais à esquerda. Na universidade, principalmente no setor 2 em que um texto como o que está aqui vira uma ofensa pesada de carregar por quem o assina, sofro com perseguição e piadinhas por defender abertamente tal postura. Infelizmente, não são poucos os profissionais que confundem ser de esquerda – a que se acha a única raiz – com ser competente, inclusive lá dentro daquela instituição. E não são poucos os que desviam suas preguiças, se escondendo atrás da defesa de causas supostamente nobres. Ainda que você seja de esquerda, precisa proteger, dialogar e valorizar essa direita que tento aqui mostrar. Estou convencido de que nossa sustentabilidade democrática depende disto.

Uma sugestão. Há ótimos nomes da direita moderada liberal brasileira no twitter. Eles publicam seus textos, suas posições e até respondem suas críticas – educadas – por lá. Corre para aquela que é a melhor rede social.

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