Editorial – Fátima e a chance histórica dentro da crise ímpar

A governadora eleita Fátima Bezerra tomou posse hoje (1) na escola de governo, no centro administrativo de Natal. O seu discurso foi um chamado à unidade, moderação e superação do revés coletivo em que nos enfiamos.

Ela pega a máquina em severas dificuldades fiscais. A situação é de conhecimento público – atrasos salariais, no pagamento dos fornecedores, déficit fiscal e uma bomba previdenciária a ser aplacada.

Diante de tal cenário, ela terá a difícil tarefa de fazer o que nenhum governo teve a coragem de implementar desde a redemocratização no RN – um duro ajuste fiscal na contramão das gestões gastadoras e mão aberta do passado.

Não será nada fácil. Na teoria, todo mundo fala em contribuir. Na prática, porém, ninguém quer perder parte do seu quinhão no bolo orçamentário. Fátima precisará mexer em inúmeros interesses e visões ideológicas setoriais, inclusive dentro da própria base sindical, se quiser conquistar a tão sonhada normalidade administrativa.

O primeiro ano será bastante complicado. Entretanto, falo com muita sobriedade, que, se conseguir aplicar as ações fiscais que se avizinham, estará plantando a semente para uma longa permanência no poder com a possibilidade de influenciar o pleito de 2020 nos municípios do RN e adquirir sua reeleição.

Não há elemento preditivo mais importante. O sucesso do seu ciclo político dependerá da força do seu ajuste. Como as terras de Poti nunca estiveram em situação tão adversa, o retorno a qualquer ideia de funcionamento tranquilo e paulatino da máquina estatal trará forte visibilidade ao PT no RN. Um trunfo político nada fácil de ser contestado e sobrepujado.

O Rio Grande do Norte não pode mais atrasar seu futuro. Que a governadora, organizadora de equipe com boa base social, técnica e partidária, tenha força para aplicar o amargo remédio que necessitamos. O nosso destino enquanto Estado e o da governadora e de seu grupo político dependem intrinsecamente da superação da árdua empreitada.

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