EDITORIAL – Por que aceitamos que a bancada governista bolsonarista no RN se comporte como se fosse oposição ao sistema?

Quando Fátima Bezerra era o nome da base federal no Rio Grande do Norte era cobrada por isso. Na época de deputada federal e depois senadora, agia como representante dos governos Lula e Dilma e abria a interlocução para resolver questões locais.

O mesmo acontecia com Henrique Alves, então influente deputado federal.

Conduta semelhante se deu com os senadores José Agripino e Garibaldi Alves na administração de Michel Temer.

E tinha de ser assim. Aliás, era até um processo natural. O que é estranho é não ocorrer hoje com os membros da base de Bolsonaro. Por qual razão, por exemplo, o deputado federal General Girão não é cobrado por mais vacinas?

Está na imprensa nacional. O atual ministro Marcelo Queiroga responsabilizou seu antecessor, Eduardo Pazuello, pela escassez da segunda dose da coronavac no Brasil. Pazuello liberou a aplicação de todas as doses dessa vacina, sem fazer a reserva técnica para o segundo momento. Resultado: milhares de pessoas com o prazo da segunda imunização de 28 dias recomendado pelo fabricante vencido. O problema ocorre também no RN.

As bancadas governistas de outros estados estão pressionando. E a nossa?

Como principal nome da base do governo no RN, ocupando vários cargos federais no estado, o que o general Girão diz a respeito? Qual articulação tem feito pra tentar ajudar na resolução desse impasse?

O fato é que a imprensa e outros setores potiguares acabam comprando acriticamente o diversionismo da base bolsonarista no RN, que fica em protestos e guerras culturais nas redes sociais e irresponsáveis passeatas em tempos de pandemia, agindo como se não fosse o próprio sistema e não tivesse responsabilidade por isso.

É digno de nota que, enquanto Girão inaugura outdoors em defesa do presidente pelo interior e participa de atos em que há pedidos explícitos de intervenção militar em Natal, quem foi pedir mais doses da coronavac ao Ministro da Saúde foi o deputado federal Walter Alves.

Usufruir dos benefícios políticos e eleitorais de ser governo e não contrair nenhuma obrigação é o sonho de qualquer político. Cabe a sociedade impedir que tal relação improdutiva se instale. No caso das terras potiguares, ponto para Girão e outros e revés para todo o RN.

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