Editorial – uma situação, duas medidas

A prefeitura do Natal anunciou que o pagamento da folha de dezembro e do décimo terceiro dos servidores ficarão para janeiro. Não há data ainda divulgada. A quitação depende do comportamento da arrecadação futura. A crise é muito grande e o poder público atrasa os vencimentos desde o pleito de 2016. Daí cabe perguntar: as federações sindicais, sindicatos, partidos e os grupos políticos, alguns tomados de dois meses para cá por uma súbita preocupação com o servidor estadual, não ligam para os funcionários do município da capital? A situação é idêntica. Já a medida.
Em âmbito estadual aplicam um ataque implacável, sem praticamente nenhuma crítica construtiva, sugestão ou ajuda na batalha que foi conseguir a ajuda federal anunciada para o início de janeiro. O Estado vive de ocupações, protestos e greves.

Em âmbito municipal o silêncio é total e irrestrito, quer seja militante, sindicalista ou político de esquerda, de centro ou de direita. Qual a razão para comportamento tão discrepante?

Fica a forte impressão de que se trata de uma sensibilidade só voltada para a ocupação futura de cadeiras. De que os servidores do município não têm contas para pagar, não têm natal nem ano novo. Portanto, não necessitam da compreensão e engajamento de seus representantes.

Certamente, o prefeito Carlos Eduardo Alves fez tudo que era possível para virar o ano em dia. Nenhum gestor atrasa salários por opção. É radicalismo imaginar o contrário. A excepcionalidade é criada por uma crise cevada por muitos anos no Brasil e que agora estourou de maneira dramática.

Mas a seletividade narrada acima não é construída pela queda da arrecadação, mas estrategicamente adubada por quem deseja, na verdade, apagar o fogo com gasolina para aparecer como bombeiro em 2018. Só é preciso cuidado, pois a história já demonstrou que o flecheiro(a) de hoje será o alvo de amanhã. Pode ser apenas uma questão de tempo.

Deixe um Comentário