Em democracias maduras, as forças armadas não participam da política, não agem como partido e muito menos dão pitacos sobre eleições

O ministro Luis Roberto Barroso acusou, em um seminário acadêmico, as forças armadas de agirem em prol da desestabilização do processo eleitoral a partir de pressão política. Mentiu? Não.

Os militares, por sua vez, responderam dizendo que têm dever para com o Brasil e que não irão atuar contra as eleições. Faz algum sentido factual? Também não.

Para começo de conversa, em democracias maduras militares não participam da política. Nos EUA, França ou Canadá ninguém sabe sequer o nome dos generais. Eles ficam nos quartéis.

O Brasil vive um processo de erosão democrática e o presidente Jair Bolsonaro, apoiado pelos militares, prepara o terreno diariamente para contestar caso venha a ser derrotado este ano. Está tudo às claras.

O Brasil gasta mais com defesa do que com educação. Os militares não entraram na reforma da previdência, apesar de serem o maior peso orçamentário desta área e tiveram aumento enquanto as outras categorias ficaram com os salários congelados. São peso pesado em termos de custeio. A ideia de que são mais honestos do que os demais nunca resiste a qualquer análise preliminar da qualquer incursão do grupo nas ações estatais.

Mas cabe perguntar: eles nos defendem de quem ou de quê? O país não entra em guerra há cerca de duzentos anos e não há qualquer perspectiva de conflito. Ora, trata-se de pura retórica. Não nos protegem de nada e, fortalecidos pelo grande orçamento e monopólio das armas, as forças armadas têm atuado na América Latina e no Brasil como um partido político em prol dos seus interesses, pressionando os civis e participando de golpes de estado.

Não será nada fácil mandá-los novamente para os quartéis, mas é medida fundamental se quisermos caminhar rumo a uma sociedade mais democrática e civilizada.

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