Em tempos de mudança do Plano Diretor em Natal, o que o trânsito nas avenidas Abel Cabral e Maria Lacerda tem a ensinar

Não, esta nota não é sobre a contradição estabelecida ao utilizar as orlas de João Pessoa como exemplo para Natal, que debateu e aprovou recentemente novo plano diretor para a cidade. Os defensores da regulação atualizada alegam que ela pode revitalizar os entornos das praias de maneira que Natal tenha orlas atrativas tais como a cidade vizinha. Só que lá é proibido prédio nesses locais. Aqui queremos o mesmo resultado fazendo o inverso, isto é, permitindo. O texto é sobre o fato de que o trânsito das avenidas Abel Cabral e da Maria Lacerda, situadas em nova Parnamirim (Parnamirim), deve servir de alerta para a capital.

Ainda na gestão do prefeito Agnelo Alves, Parnamirim promoveu um liberou geral. Todo mundo constrói o que quiser, na hora que quiser. Enquanto escolas, edifícios elevados e outros empreendimentos eram feitos na região, lideranças natalenses elogiavam o arrojo do município conurbado com Natal. Apesar de ignorados, avisos foram feitos pelos críticos – “olha, as vias ali situadas só têm duas faixas estreitas e não raro ocupadas por carros estacionados e elas não irão suportar o adensamento”.

O resultado chegou. Hoje, dois ou três KMs, que poderiam ser feitos em cinco minutos, são cortados em até uma hora, a depender do horário. Isto é, se o cidadão vive na localidade citada ou precisa atravessá-la deve se submeter a um périplo cotidiano. No final das contas, ele deixará parte da sua vida ali parado num trânsito cansativo, chato e que retira sua qualidade de vida. O cidadão vive, só que não circula.

E aí há duas perguntas que são inegavelmente políticas no bom sentido da palavra. A quem no final das contas o tal desenvolvimento comemorado serviu? O cidadão que ali reside e/ou se movimenta ganhou o que na prática com o formato de regulação do espaço urbano?

Modernização semelhante é prometida para Natal a partir do novo plano diretor. Os devidos avisos sobre os erros, no sentido deles não levarem em consideração o que significa produzir a vida num espaço compartilhado, foram feitos. E um dia o futuro baterá à porta dos natalenses, assim como ocorre hoje com os moradores de Nova Parnamirim.

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