Empresários acabarão conseguindo impor o fim do isolamento aos poderes públicos no RN

O Rio Grande do Norte tem mantido cerca de 40% das pessoas em isolamento, conforme o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS)/UFRN. O número tem sido insuficiente para desacelerar o espraiamento da covid-19 pelas terras de poti. Só hoje tivemos 692 casos, sempre lembrando que, pela média estimada, 5% dos contaminados precisarão de UTIs e 10% de algum cuidado clínico hospitalar.

O sistema de saúde do RN já se encontra em estado de superlotação. O colapso segue no horizonte. Praticamente, só há vagas em hospitais do interior. Os poderes públicos não conseguir abrir novos leitos diante da ferocidade da pandemia, aliás como foi alertado desde o início. Porém, do ponto de vista político, a pressão pelo fim do isolamento é muito grande.

O potiguar fica com uma impressão. O governo do RN e as prefeituras não irão aguentar mais por muito tempo e acabarão cedendo.

Pelo plano da Fiern de retomada da economia adotado pelo governo, só é possível imaginar uma reabertura após atingirmos quatro pontos: 1. testagem em massa para rastrear e isolar os doentes; 2. estabilização da curva de contágio; 3. universalização das regras de higiene (uso de máscara, etc); 4. leitos de retaguarda para suportar possíveis crescimentos da demanda.

Ora, está claro que, nem de longe, temos tais condições. Mas, ainda assim, quem elaborou e/ou quem apoiou o plano da Fiern não quer saber muito de preencher tais requisitos.

A melhor forma para o fim do isolamento é cobrando o atendimento dos pontos listados. Mas não tem sido assim. Querem abrir de qualquer forma. Até porque, quem pede abertura, cultiva postura negacionista, não irá pegar ônibus e dividir ambientes de trabalho fechados e nem depende do SUS. Só desta maneira, sem ver a perspectiva da morte de perto, uma pessoa pode clamar pelo fim do isolamento sem medo.

O contexto é para pessimismo. Ainda assim, como política tem íntima relação com a avaliação da correlação de forças, as elites locais e estaduais são muito fortes. E já já conseguirão dobrar os poderes públicos. Imagino que é uma questão de tempo.

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