Escola sem estrutura, sem contratação e com militares aposentados como orientadores morais

Você vai atrás de saber como funcionarão as tais escolas militares e fica impressionado com o nível da gambiarra autoritária: pura ideologia. E ainda tem gente que se diz aberta e liberal que defende. Com qual propósito?

Cada instituição ganhará dois milhões de reais. Tal verba servirá para remunerar militares da reserva (aposentados). Eles ingressarão como orientadores morais dos discentes. E só. Não haverá mudança de estrutura, de ensino, contratação de mais professores, laboratório, computador, nada. O suposto diferencial da escola cívico-militar está no pagamento de bombeiros, policiais e membros das forças armadas como docentes de moral e cívica. Qual a evidência existe no mundo a demonstrar que a introdução de um militar na participação da formação de uma criança irá melhorar seu rendimento?

Há mais. Os conservadores, que até ontem diziam que a formação moral é da responsabilidade da família, argumentam agora em favor de terceirizar a tarefa para terceiros sem conhecimento educacional. É uma contradição bizarra.

Eles defendem políticas públicas sustentadas em resultados não verificáveis, mas apenas para os filhos dos outros. Enquanto isso, as escolas de tempo integral, que já estavam dando certo no RN, tiveram seus recursos cortados. Mas aí tudo bem, né?

Aliás, duvido que, apesar do discurso, as elites retirem seus filhos dos colégios de modelo freireano para colocar em escolas militares. Não fazem porque sabem que são as melhores. É como bater na UFRN todo dia e gastar tubos de recursos com cursinhos e os melhores centros de ensino, para o filho ir fazer faculdade na universidade federal. Brincadeira com o futuro alheio.

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