Esquecida como destino pelas elites locais, Ponta Negra sofre com o abandono do poder público

Andei no domingo de carnaval pelo calçadão da praia de Ponta Negra e fiquei chateado. A beleza da praia se perde na sujeira e lixo. E não é possível culpar o cidadão, pois não há lixeiras. O esgoto corre para todos verem e sentirem e há buracos. A maior mentira já dita recentemente na cidade é a de que a culpa por isto é do antigo plano diretor.

Adoro a orla de João Pessoa e não tem nada a ver com plano diretor. É limpa, bem cuidada, não fede e há espaço pra tudo – quem quer tomar sua cerveja, se exercitar ou simplesmente passear e tomar um banho de mar. Tudo bem ao contrário da orla de Ponta Negra. E, cabe lembrar, lá é proibido construir espigões até 500 metros da praia.

Já foram despejados dezenas de milhões de reais em Ponta Negra sem nenhum resultado concreto. Só aquelas pedras desnecessárias. Falam em mais grana agora pra resolver. Sem o cuidar cotidiano, vai continuar na mesma.

O fato é que a elite natalense abandonou ponta negra como destino e procurou exclusividade em praias mais distantes. O movimento é semelhante ao já ocorrido com a praia dos artistas. Com isso, a pressão por melhorias na orla de Ponta Negra sumiu dos jornais e de outros espaços de debate. Os grupos que visitam as praias urbanas da cidade têm baixo poder de pressão sobre o poder público e de agendamento para colocar o problema como central. Daí sua persistência.

Desde a ex-prefeita Micarla de Sousa, a orla é exemplo do fracasso de várias gestões que tentaram ali intervir.
Dizer que isto será resolvido com autorização para espigões é bizarro. É preciso que o poder público assuma a sua responsabilidade diante da administração do espaço e motive os cidadãos à participação com o mesmo viés. Do contrário, não terá regulamentação que dê jeito.

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