Esquerdista, eu?

Estou sendo chamado de esquerdista. É uma forma de demonização do outro utilizada por quem abre mão de determinados valores – ou nunca os cultivou – em prol da aproximação de rodas high society afeitas a onda do momento.

Eu… que defendo a reforma trabalhista, da previdência e me posiciono a favor da pec do teto e de ajustes fiscais. Meu blog e face estão cheios de textos com tal viés. Que “esquerdismo” defende essa pauta?

Eu… que sou a favor da montagem das coalizções com a distribuição proporcional de espaços e gestão do orçamento para os partidos da coligação vencedora. Nunca fiz uma afirmação distante disto.

Eu… defensor de uma pauta liberal nos costumes que se resume na seguinte máxima: cada um faz o que entende ser melhor para sua vida, desde que não atrapalhe a de terceiros.

Como defendo aquilo no liberalismo se chama de “liberdade negativa”, sou contra o armamento da população. Se uma mulher fizer um aborto, é um problema (ou resolução) dela. As pessoas dão conta de suas vidas sexuais e isto também não atrapalha ninguém. Mas no caso de alguém armado, interferirá, conforme os estudos, na minha liberdade.

Eu… defendo bolsa família e programa de cotas porque são geradores de “igualdade de oportunidades”, um valor base do liberalismo econômico. Descolado do debate está quem imagina que são políticas comunistas.

Há uns 20 anos atrás, quando a gente falava que alguém era esquerdista, estava apontando um radicalismo incapaz de dialogar com contrários, inclusive dentro do próprio campo, digamos assim, ideológico. Era uma pessoa apegada a dogmas que desejava impor.

Hoje, a percepção ideológica de parte das pessoas mudou. Ser esquerdista é criticar o anti-intelectualismo contra as universidades, defender uma justiça justa (a redundância se faz necessária), separação entre os poderes, não se distanciar demais dos fatos e não tergiversar diante de governos com aspirações autoritárias. É o sinal dos tempos.

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