Estamos no caos? É pior: sequer sabemos

O bolsonarismo segue escalando diante dos fatos do novo coronavírus. Começou com a negação da realidade (gripezinha, histórico de atleta, brasileiro aguenta banho de merda, etc), passou para a ideia de que a pandemia era algo pequeno mas já estava passando (irão morrer no máximo 750, a cloroquina cura, prevent senior) e, agora, diante dos corpos que não podem ser escondidos e colapso do sistema de saúde em alguns estados, terceiriza a administração em busca dos responsáveis (a culpa é dos governadores e prefeitos).

O fato é que tivemos três meses para avaliar as ações que deram certo e errado pelo mundo, para preparar a população e não fizemos.

Durante a semana, o novo ministro da saúde, Nelson Teich, em incomum sincericídio político, disse que estava no escuro pela falta de dados e de testes. Ele foi honesto porque estamos mesmo. Não fazemos nem ideia de como se processa a pandemia entre nós. E aí como falar em fim do isolamento sem sequer possuir a básica condição de separar quem é doente de quem não é? Na exata quinta feira que Bolsonaro alegou que o isolamento era inútil, o seu ministro informou que o isolamento não pode ser afrouxado. Trata-se do método esquizofrênico de jogar no “sistema” de modo que pareça que não faz parte dele.

Em reunião com os governadores do nordeste, Teich demonstrou mais uma vez sua falta de habilidade para não expor seu próprio governo. Ao informar que os respiradores encomendados pela união às fábricas nacionais não ficarão pronto tão cedo, perguntou aos governadores aonde foi que eles importaram o equipamento.

Pelo nível da pergunta da principal autoridade de saúde do país, já se imagina o que vira nas próximas semanas.

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