Estatal que foi comandada por Rogério Marinho tem obras paradas, superfaturadas e com asfalto “movediço”

Do Saiba Mais

Por Mirela Lopes

A Codevasf, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), então comandado pelo potiguar Rogério Marinho, afrouxou as licitações para realização de obras, ampliou o número de contratos e expandiu seu foco de atuação sem qualquer planejamento ou controle de gastos, aponta nova reportagem do jornal Folha de São Paulo, publicada na edição desta segunda (18).

Foi contatado que obras entregues apresentaram uma série de problemas pouco tempo depois de concluídas. Em Araguatins (no Tocantins), por exemplo, o pavimento amolece e afunda nos dias mais quentes, o que coloca a vida dos motoristas em risco. No local, muitos motociclistas têm caído ao estacionar suas motos, porque o pneu entra no asfalto, provocando desequilíbrio. Em outra localidade, próximo ao povoado de Macaúba, os moradores reclamam que a obra de acesso ao local está parada há mais de um mês. Ao todo, a Codevasf destinou, pelo menos, R$ 11 milhões em obras na região.

Já em Alagoas, obras entregues entre 2019 e 2020 apresentam superfaturamento, pagamentos indevidos, serviços em duplicidade e obras inacabadas, num prejuízo total de R$ 4,3 milhões, segundo a fiscalização da Controladoria-Geral da União.

Em Pernambuco, 18 dos 19 participantes de um pregão foram desclassificados de uma concorrência para pavimentação em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro. A única empresa que sobrou da disputa, a Liga Engenharia Ltda era, justamente, a que tinha apresentado a proposta de valor mais elevado. Uma das concorrentes recorreu ao Tribunal de Contas da União (TCU), que julgou as eliminações como irregulares. Depois que o caso chegou ao TCU, a empreiteira vencedora da concorrência teve que dar um desconto que resultou na economia de R$ 1,3 milhão para a Codevasf.

A estatal tem sido usada como moeda de negociação entre deputados do centrão e o Palácio do Planalto, que libera emendas parlamentares em troca de apoio aos projetos encaminhados pelo Governo. Rogério Marinho (PL), ex-ministro do Desenvolvimento de Bolsonaro e pré-candidato ao Senado pelo RN, comandava a Codevasf até o mês passado. Durante o Governo Bolsonaro, a Companhia recebeu R$ 3 bilhões por meio de emendas parlamentares, mas não conseguiu comprovar os gastos com as obras em 2021, de acordo com uma auditoria independente realizada pela Russell Bedford.

O problema da falta de comprovação de valores de obras foi verificado no item “Obras em andamento, Estudos e Projetos e Instalações”. A Codevasf afirmou no balanço ter um saldo de R$ 2,7 bilhões na rubrica, mas os auditores não conseguiram confirmar o valor. Boa parte desses recursos chegaram à Estatal a partir de emendas parlamentares.

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