Falta ao governo Fátima demonstrar que tem lado

Sem publicidade durante a pandemia, por atender a uma solicitação já reconhecida pelo próprio Ministério Público como um erro para não gastar com propaganda, o Governo do RN sofreu com a dificuldade de informar aos potiguares suas ações diante do novo coronavírus. Porém, não é só propaganda, falta ao governo Fátima fazer política e mostrar que tem lado.

O governo Fátima Bezerra sofre com um problema semelhante ao que atravessava o de Robinson Faria. Não faz política no sentido público da palavra. Não mostra sua perspectiva e não enfatiza posições, deixando de gerar fatos que serão presenciados por todos. Isto só a política pode fazer. Não é papel de marqueteiro, nem de jornalista e muito menos de assessor.

Cabe citar exemplos. Não há na assembleia, pelo menos até o presente momento, um polemista/defensor capaz de tomar a frente e gerar narrativa política em favor da divulgação das ações do governo, demarcando para quem e para o quê o governo age. A comunicação mandará o release sobre uma política, fará divulgação nas redes sociais. Porém, é o político que inspirará parcelas do eleitorado, dizendo quem atende e o que o oponente quer contra seus eleitores. Não é radicalização. É diferente. É a explicitação de interesses.

As ações do governo também não são marcadas por atos públicos. Mais de 500 leitos foram abertos durante a pandemia, mas nenhum hospital foi visitado. Aquela coisa de colocar o colete do SUS ou o capacete da obra. Ora, simplesmente não funciona assim. Basta ver os prefeitos e seus secretários, sempre tirando fotos, fazendo vistorias, dando entrevistas no sentido da demarcação do ato, muitas vezes simbólicas, mas nem por isso menos efetivas.

Só gente muito bem informada, o que a maioria não é porque vive emaranhado em suas próprias urgências pessoais, saberá que o hospital de campanha de Natal, para citar mais um exemplo, recebeu equipamentos para funcionar do governo do RN. Enquanto Álvaro Dias não cansou de ancorar falhas, muitas vezes suas, no governo, o empréstimo de material do governo para a prefeitura não passou por solenidade pública. Não é assim. Ceder material a uma prefeitura é um ato político e não uma atividade técnica anônima, ainda mais quando se trata de um gestor que já deixou evidente que se relaciona como agente de oposição.

A atuação política de Alvaro Dias foi tão bem sucedida, que Natal tem a pior situação do RN, já tendo passado São Paulo e outras capitais em termos de mortes por covid-19/por milhão que apresentaram os seus primeiros casos bem antes. A aceleração dos casos na capital potiguar tem relação com a liberação do comércio do alecrim, um formigueiro de gente, e das feiras livres em plena pandemia. Mas a impressão que se tem é que o combate ao coronavírus por aqui foi um sucesso.

Ao contrário da imagem que se tem pelo antipetismo do PT, o governo Fátima parece sempre pisar em ovos e peca pelo excesso de moderação. E, mais uma vez vale repetir, a defesa não é pela radicalização em prol de colocar em risco qualquer tipo de governabilidade. Os deputados que fazem parte do governo devem administrar, inclusive sendo prestigiados. A questão é de demonstrar que há lado em jogo. E isto não ocorre.

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