Falta uma grande obra ao governo Fátima?

A oposição tenta emplacar o discurso – “Fátima não tem uma grande obra para apresentar”. Pelo que é possível observar, isto será levantado sobretudo para o eleitorado natalense. A cisão do comportamento eleitoral entre Natal e o restante do RN, já desenvolvido em 2018, tem potencial para ocorrer novamente em 2022.

A retórica visa fincar o seguinte ponto de partida – Fátima tinha recursos e não fez. E mais: tenta colocar os servidores como empecilho ao RN, já que o governo teve de pagar folhas abertas e, com isso, ficou sem verbas para outras ações.

Ora, primeiro, não há oposição entre andamento do Estado e servidores, pois estamos falando de policiais, médicos, professores. Sem eles, tudo pára de vez.

Durante a campanha, além disso, o governo deverá mostrar, principalmente em Natal, como os dados de violência diminuíram, o governo do RN foi o principal mantenedor – com recursos próprios – de leitos-covid. Enfim, como o pagamento das folhas foi base para uma recuperação da normalidade administrativa dos serviços públicos estatais e não um privilégio de servidores.

Será uma disputa de discurso da “falta da grande obra” X a obra da recuperação da normalidade administrativa como grande obra da administração + obras físicas de médio alcance. Afinal, as folhas pagas dariam para construir mais de uma ponte nova de acesso a região norte de Natal.

E aí a oposição terá uma desvantagem de discurso e um perigo estratégico – ao tentar vender uma normalidade no presente, alegando a falta da grande obra – como se existissem recursos para tanto -, se vincular aos governos anteriores que deterioraram as contas e serviços públicos e saíram mal avaliados. E, por fim, desconsiderar a importância do funcionalismo. Jogar 110 mil pessoas automaticamente na militância do colo adversário não será muito inteligente.

Um palpite: o retrovisor ajudará a gestão atual. E, com tempo de Tv, o governo terá em Natal a possibilidade de apresentar o seu lado e, inclusive, desfazer notícias falsas. Por exemplo: que a gestão atual recebeu mais verbas federais do que os governos anteriores em decorrência da pandemia.

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