Fátima joga no campo adversário

Há uma clara diferença na cobertura do governo estadual de gestões municipais e do governo federal. E isto ocorre, ao contrário do que o senso comum imagina, não por causa de dinheiro, distribuição de publicidade ou algo do gênero. Os jornalistas, em sua maioria, são sérios e trabalham em prol da manutenção de suas credibilidades. A especificidade de tratamento se processa em face da distância ideológica do grupo político liderado pelo PT hoje no poder com o que predomina na esfera pública local.

A governadora Fátima Bezerra perdeu entre os mais ricos e formadores de opinião. Eles são minoria, mas dominam as instituições, as pautas dos jornais – o que é diferente do trabalho do jornalista -, aquilo que é debatido nas arenas públicas com maior poder de deliberação social e influência na consagração das ações de Estado. E já está claro que, mesmo com toda a moderação da governadora Fátima Bezerra, aliada com o PSDB local e atendendo toda a agenda da FIERN, não foi aceita por esses grupos.

O enfrentamento da pandemia desnudou também tal correlação ideológica posta entre governos (municipais, estadual e federal) e sociedade potiguar. Há um esforço local coordenado para salvar Bolsonaro de toda a tragédia que ele produziu, minimizar os erros dos municípios e manter o governo estadual em evidência.

Diante de uma pandemia completamente fora da rota, municípios e Governo agiram. Sim, cometeram erros pontuais. Mas, no geral, acertaram naquilo que se propuseram dentro de suas possibilidades: abertura de leitos, defesa do isolamento social e outras medidas sanitárias. O rombo administrativo foi gerado pela ausência de atuação do governo federal, que tem infinito maior poder orçamentário e de articulação das políticas em território nacional. Pior. Não apenas se omitiu, mas, quando atuou, exerceu incursões desmobilizadoras contra o isolamento social e medidas sanitárias preconizados pela organização mundial de saúde.

Cabe, portanto, ao governo compreender que é preciso manter uma base social fiel de proteção, de retaguarda e contornar as dificuldades de comunicação para chegar no restante da população, sem depender completamente dos grupos que tentam salvar Bolsonaro de si mesmo.

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