Flávio Rocha seria um “traço de união” se fosse candidato a governador, diz José Agripino

Do Portal Agora RN

Senador por três mandatos, além de ter sido governador potiguar duas vezes e prefeito de Natal, o atual presidente nacional do partido Democratas, José Agripino Maia (DEM), considera que o Rio Grande do Norte está em uma “situação pré-falimentar”, muito devido ao fato de o atual gestor, Robinson Faria (PSD), não ter tomado as providências necessárias para equilibrar as contas do estado.

Por causa disso, o senador defende para 2018 uma candidatura a governador que se comprometa a trabalhar, caso a chapa seja eleita, para reequilibrar as finanças da administração estadual. Ele diz que o empresário Flávio Rocha, diretor do Grupo Guararapes e presidente da Riachuelo, seria neste cenário um “traço de união”.

Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Agora RN, o senador comenta ainda outros aspectos dos cenários políticos local e nacional, como a gestão do presidente Michel Temer e sua política econômica. Confira na íntegra:

Como o senhor está lendo o atual cenário de crise no Rio Grande do Norte?

Nós estamos em uma situação pré-falimentar. Eu lamento muito, porque o Rio Grande do Norte é o meu estado, e eu quero que ele esteja, no mínimo, em situação de equilíbrio. Nossos vizinhos, como a Paraíba e o Ceará, estão em franco crescimento, enquanto estamos em franca queda.

Essa situação é resultado de quê?

De gestão. Quando assumiu, o governador Robinson Faria não fez aquilo que era preciso fazer. Com a perda do equilíbrio das contas públicas e a não tomada de providências, nós chegamos a uma situação em que hoje lamentavelmente o Rio Grande do Norte se encontra. Os outros estados estão conquistando espaço em cima das nossas deficiências.

Qual será a participação do Democratas na eleição estadual de 2018?

Nós vamos querer reeditar a aliança com o PMDB, com o PR, com o PSDB, com o PDT (eu apoiei a candidatura de Carlos Eduardo à Prefeitura de Natal) e com o PP, para que tenhamos uma chapa de candidatos a deputados engajada na eleição de um governador que tenha, como eu tive em 1991, a meta fundamental de reequilibrar as contas públicas.

Que análise o senhor faz dos nomes que estão atualmente colocados?

Se Flávio Rocha topasse ser candidato a governador, ele seria um traço de união entre muita gente. Ele viria com as ideias que o Brasil e o Rio Grande do Norte conhecem e o endosso e aprovação dos partidos que o apoiassem – e eu o apoiaria. Carlos Eduardo, por sua vez, é um nome de qualidade, tem experiência já comprovada pelo exercício de vários mandatos de prefeito de Natal. É um nome que eu vejo também com simpatia.

O senhor considera que uma eventual candidatura da senadora Fátima Bezerra ao Governo do Estado tem chances de prosperar?

Fátima Bezerra é PT, e PT é o que o Brasil está assistindo. Só quem é cego não percebe isso. Se quisermos reeditar os equívocos do país no RN, é só fazer a escolha pelo PT.

O senhor será candidato à reeleição? Se sim, está confiante?

Sim. Todo pré-candidato tem de estar confiante. Acho que tenho feito do meu mandato um instrumento de prestação de serviços às causas do Rio Grande do Norte.

O governo do presidente Michel Temer é um governo de avanços ou retrocessos?

É um governo de ajustes. Michel Temer assumiu a Presidência com uma situação de descontrole econômico, recessão e desemprego profundos, desarrumação das contas públicas e vícios acumulados. Ele assumiu e se propôs a fazer aquilo que se exigia e vem tocando a economia com muita segurança e suporte político-congressual capaz de fazer os ajustes para que o país voltasse a andar. O país estava de ladeira abaixo, estacionou e agora volta a subir.

As denúncias contra o presidente não inviabilizam a apreciação das reformas?

Elas diminuem o suporte político-parlamentar, mas o Congresso está tendo a consciência de que as reformas virão em benefício não do governo, mas do país e da economia. O Congresso está sabendo e vai saber distinguir muito bem.

O presidente terá suporte o suficiente para aprovar a reforma da Previdência?

Quanto mais avançar o tempo, menor a capacidade do presidente em votar a reforma da Previdência como ela está proposta.

Qual será o posicionamento do DEM nas eleições de 2018?

Nós pretendemos participar de um projeto nacional centro-democrático, nem de esquerda nem de direita, que tenha como bandeira o fim do conflito entre brasileiros. Tem de acabar com essa história de brasileiro contra brasileiro, brasileiro de esquerda contra brasileiro de centro ou de direita, o “nós contra eles”, rico contra pobre. O importante é que os partidos que têm musculatura sejam capazes de sentar à mesa de negociação para encontrar um projeto de interesse do Brasil, da recuperação da economia e da geração de empregos.

O nome que melhor atende a esse perfil atualmente é o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles?

Ele reúne qualidades, mas, entre reunir qualidades e ter potencial político-eleitoral para ganhar a eleição, há uma distância. É preciso que o processo econômico avance para que figuras como Henrique Meirelles possam ter um capital de convencimento maior junto aos eleitores.

Qual seria o nome do Democratas?

Por exemplo, Rodrigo Maia. É um nome que está em evolução permanente. Se há uma pessoa que, neste momento, está sendo um traço de união entre diversos partidos, inclusive os de esquerda, é ele. Ele tem sido uma ótima revelação em matéria de articulação política, que é o que Brasil mais precisa.

De que maneira o senhor responde às acusações que estão colocadas contra o senhor?

Eu fui prefeito e governador por três mandatos. Enquanto fui ordenador de despesas, nunca tive minhas contas questionadas. Agora, quando sou líder da oposição, sou objeto de questionamentos. Me acusam, por exemplo, de ter recebido propina da construção da Arena das Dunas por trabalhar para liberar recursos do BNDES. Então, imagine um líder de oposição receber propina por serviços prestados junto a um órgão do governo federal, ao qual eu fazia oposição sistemática o tempo todo. Qual a lógica disso? Quem não deve não teme. A Justiça vai mostrar que eu sou um injustiçado.

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