Foi enganado quem quis

Quem faz política procura ganhos materiais/espirituais. Não é condenação moral. É uma máxima de um mestre no assunto que não pode sair de nossa ótica. Há sempre interesses em jogo e eles podem ser lícitos ou ilícitos. Podem ser mesquinhos ou, digamos assim, mais universalistas.

Quando os membros da Lava Jato começaram com fotos com políticos sempre de determinados partidos, passaram a fazer palestras, publicaram livros, empreenderam ações de vazamentos em eleições/impeachment, a partir daí se enganou quem quis.

Não há aparentemente ilegalidade nos atos do procurador Deltan Dallagnol, que usou, conforme revelou o jornal Folha de SP, sua fama para abrir empresa e vender palestras.

A questão é que ele transmitiu publicamente uma imagem completamente distinta. Sua cruzada moral contra a corrupção lhe rendeu frutos e ele estava bastante preocupado na capitalização sobre o tema.

E há mais. Pelos critérios que ele mesmo elencou sobre como um agente público deve se comportar, neste momento, caso aplicasse sua régua a si próprio, sua conduta estaria sendo criminalizada.

É esperar que tudo o que está sendo revelado sobre a Lava Jato gere a compreensão de que não podemos cultivar heróis intocáveis. Homens são de carne e osso. Os vigilantes também precisam ser vigiados.

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