Governo do RN deveria ter alinhado o discurso antes de flexbilizar o isolamento social

Em boletim do diário oficial do RN de hoje, o Governo flexibilizou o isolamento social contra o coronavírus (leia aqui). A nossa taxa de ocupação de UTI é boa e está melhor do que em muitos estados. Porém, como não sou especialista, irei me ater ao que vem sendo dito pelos próprios técnicos da secretaria de saúde do RN.

Até praticamente ontem, o discurso era o de que manter o isolamento social é fundamental e que há perspectiva de super lotação dos hospitais nas primeiras semanas de maio. Não trata-se de força de expressão. Segue o link de matéria da Tribuna do Norte para a fala dos técnicos da secretaria de saúde do RN (Colapso da rede de saúde será em maio, http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/colapso-da-rede-de-saaode-sera-em-maio-afirma-sesap/477989). Hoje (23), após reunião com representantes de associações comerciais via internet no último dia 21, veio a flexibilização.

Se achasse interessante mudar a linha de atuação, a alteração deveria vir acompanhada de maiores fundamentações, de sinalizações claras e, por fim, pela busca de engajamento coletivo. Era para ter sido dito: olha, vamos flexibilizar mas é imprescindível seguir toda a etiqueta de higiene, manter distanciamento individual e utilizar máscaras. Em resumo, preparar o terreno. Isto infelizmente não ocorreu.

A flexibilização será sinônimo de tranquilidade para quem for alcançado pela informação, de que o “pior já passou”. E, repito, pelo discurso da própria secretaria de saúde do RN, não é bem assim.

As associações comerciais pressionaram tanto a governadora como os prefeitos. Eles, porém, deveriam ter atuado em conjunto. É um problema anterior que também vem se processando na crise pandêmica.

Agora, se amanhã a coisa estourar, tenha uma certeza, caro leitor: todos os defensores do fim do isolamento agora não darão o rosto à tapa. Ficarão calados. E há aí um erro político da governadora. Ela deveria ter compartilhado a responsabilidade por essa abertura, buscando o comprometimento da sociedade como um todo. Politicamente, estaria protegida. Amanhã, se precisar recuar, não terá discurso. E mais: o risco objetivo é perder o apoio de quem defende o isolamento, pelas pesquisas nacionais, a grande maioria da população; e não ganhar dos que queriam flexibilizá-lo.

Na condição de leigo que O Potiguar é na área de saúde, espero sinceramente que tudo dê certo e que nosso sistema suporte bem o tranco.

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