Governo do RN não pode perder o discurso sobre o isolamento

Declarações do secretário municipal de saúde, George Antunes, repercutiram na imprensa. Segundo ele, ainda não há situação para fechamento total (lockdown) em Natal, ação requerida na justiça pelo sindicato dos profissionais da saúde (Sindsaúde), mas salientou algo que sinaliza para os próximos passos da prefeitura municipal do Natal. É preciso diminuir a lista de serviços essenciais, disse ele. A crítica contra o governo do RN, que flexibilizou o isolamento há cerca de duas semana, permitindo o funcionamento de salões de beleza, por exemplo, é direta.

O Governo do RN teve desde o início a bandeira da ciência como parte de sua estratégia de combate ao coronavírus. Ceder a pressão contra o isolamento por parte das associações comerciais foi um erro. A sinalização para a sociedade de que o contexto estava melhorando é falsa. E mais: politicamente, a governadora Fátima Bezerra corre o risco de perder o discurso que a sustentou até aqui.

Ora, ao que tudo indica, o colapso do sistema de saúde no Rio Grande do Norte só permeado por uma dúvida: quando ocorrera?

E daí dois discursos entrarão em campo. Aquele que vem do bolsonarismo, que se desresponsabiliza e joga toda a culpa nos governadores e prefeitos, como se nada pudesse fazer, mesmo com o controle de quase 70% do orçamento nacional; e o que sustenta a necessidade de manter o distanciamento social. Ao governo não está dada a possibilidade de não aderir ao discurso recomendado pela Organização Munidial de Saúde. A hora não é de flexibilizá-lo, mas de apostar nele.

Neste sentido, a jogada do secretário municipal de saúde foi inteligente. Defendeu o isolamento e disse que vem cumprindo, conforme recomendação do ministério público, os decretos do governo estadual. Ao prefeito Álvaro Dias também não está dada a possibilidade de surfar no bolsonarismo, até porque o governo federal espalha que encheu os cofres estaduais e municipais de dinheiro para combater a pandemia. É uma informação questionável, pois não se sabe objetivamente se o enviado foi suficiente. Para uma pessoa comum, 1, 2 ou 10 milhões representam muito dinheiro. Mas é o suficiente para controlar um vírus desconhecido? Não sabemos.

O fato é que, se não marcar posição, o governo do RN pode ter seu posto organizado por terceiros e, geralmente, isto não costuma terminar bem.

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