Há momentos em que Bolsonaro é incompreensível

Este blogueiro acompanha a política de perto há anos e, diante da vitória de Jair Bolsonaro em 2018, leu muitos estudos a respeito. Só que, ainda assim, há momentos em que Bolsonaro é incompreensível.

Ora, é difícil arrumar uma explicação plausível para o fato de que o Brasil vive uma pandemia não se sabe exatamente do que, pois os sistemas de registro do ministério da saúde estão um caos e a testagem no Brasil é uma vergonha. O que é exatamente gripe ou covid? Não sabemos, na medida em que as novas variantes de covid, sobretudo entre vacinados que são a maioria no Brasil, conforme já alertado pelos especialistas, têm os mesmos sintomas de uma gripe e é bem difícil estabelecer a diferença sem exame. Há um crescimento de casos covid na Europa, Eua, Chile e Argentina. Aqui simplesmente estamos no escuro.

Além dos hospitais lotados no país todo, o estado da Bahia se desmancha em água. Outros também já começam a enfrentar situação semelhante. E o que Bolsonaro faz? Já vai para a segunda semana de férias em Santa Catarina, se deixando fotografar pescando, andando de jet sky ou sentado olhando o horizonte em um bar. Quando deixa o seu descanso é para falar mal de vacina e agora atacar também a Anvisa que autorizou o imunizante para crianças.

Nenhum presidente, quer seja de esquerda ou de direita, mesmo com inclinações populistas, agiria assim. Simplesmente não faz sentido algum. Não há estratégia nisso. A imagem insofismável é de puro desleixo.

Sim, ok. Os defensores das férias presidenciais alegam que ele mandou ministros e dinheiro. É verdade. Só que ele é o presidente, a autoridade maior do país. Não é um servidor comum que presta seu expediente e vai para casa, muito menos que tem férias como outro funcionário público qualquer. Ele é mandatário, o líder escolhido nas urnas, mas que nunca lidera.

Enquanto ele passeia em Santa Catarina há duas semanas e diz que só volta mesmo dia 04 de Janeiro, a hashtag #BolsonaroVagabundo é a mais falada no twitter Brasil há três longos dias. As suas fotografias pescando sendo relacionadas aos estragos nacionais viralizaram. Só fazia algum sentido se comportar como não-político antes da eleição de 2018, para surfar na onda que apareceu no momento. Mas ele é presidente há três anos, ele é o sistema, o poder. Não tem como apagar esta obviedade.

Daí não fazer o menor sentido o que ele anda desenvolvendo – ou deixando de fazer – no final de ano. Não há estratégia. Não há uma linha política, uma forma de se comunicar com o povo, nada. Apenas o simples fato de ignorar a situação. E talvez estejamos a quebrar a cabeça com algo que por si só já tenha a sua explicação – a completa falta de empatia a respeito do outro e a ausência de um mínimo de condição para o cargo em que se encontra.

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