Impondo ao Brasil uma crise sem precedentes desde a constituição de 1988, Bolsonaro tenta paralisar o país na defesa de seu projeto golpista

O presidente Jair Bolsonaro e sua base social minoritária impuseram uma paralisação total ao Brasil. São duas semanas em que os poderes, a imprensa, as autoridades se preparam para resistir ao 07 de setembro e os bolsonaristas nas ruas. Prédios públicos foram fechados e a segurança reforçada.

Dessa forma, não faz sentido se perguntar sobre a possibilidade de um golpe clássico. A literatura especializada não caminha por aí. Os exemplos contemporâneos também não. A erosão das instituições aliada a esse medo já são sinais deletérios objetivos contra a democracia.

Questionar sobre se os acontecimentos serão pacíficos é outra falsa questão. A linguagem empregada, as ameaças saídas da boca do presidente e de seus radicais são pura violência. Trata-se de uma passeata em que a faca já está apontada para o corpo de terceiros. A agenda é basicamente a defesa de um desequilíbrio em que o executivo pode tudo e as instituições devem se curvar. O busca por atiçar forças armadas e, principalmente, policiais militares, os detentores das armas e que em democracias maduras não participam da política, representam evidências claras do que está em jogo.

O Brasil vive uma crise política sem precedentes no período constitucional, aumento da inflação e da fome. O governo parou de vez. Nada se fala a respeito. Bolsonaro sabe que, pela conjuntura econômica e política, não tem como ganhar o ano que vem. Resta a cartada da radicalização na tentativa de contestar o resultado de 2022.

Um parêntese: possivelmente, estão preparando algo para amanhã: uma tentativa de ato violento, uma encenação com alguém de “esquerda” – um infiltrado – agredindo um pacato cidadão. Se você for crítico de Bolsonaro, a melhor decisão a tomar é não passar nem perto.

Só restou a Bolsonaro atos de rua. Ele deixou de vez a capa de que governava algo e organiza abertamente, em seu expediente de suposto trabalho, comícios para tentar desacreditar as pesquisas e ameaçar a oposição e os poderes. Ele procurará potencializar esses atos com alguma demonstração de vitimização, de violência.

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