Início do fim?

Gravitam os sinais de que Bolsonaro procurou e agora encontrou o isolamento. Apoiadores de primeira hora estão dando adeus. Há vozes de mercado jogando a toalha. Eles reconhecem de público que há crise econômica e ela é inflada pela lógica belicosa do governo. E a classe política escancara que não vai mais aceitar o jogo do presidente. A imprensa passou a chamar os atos bolsonaristas pelos nomes mais duros, sem eufemismos.

Sua base de defensores se restringe cada vez mais a um grupo de extremistas, negacionistas e conspiracionistas. Os moderados que ainda estavam com ele foram embora com a conduta presidencial diante da crise do corona.

Atente, caro interlocutor, para a significação das movimentações dos governadores João Doria e Ronaldo Caiado. Bolsonarista, o próprio Caiado fez questão de repercutir vídeo em que clama aos manifestantes do dia 15 para que não se aglomerem. Os dois citados deixaram claro que sabem que a conjuntura epidêmica escalará rapidamente em termos de severidade e demarcaram confortável distância política de Bolsonaro.

Aliás, é o problema que o presidente irá enfrentar em curto período. Ele e qualquer outro líder institucional que vêm minimizando os efeitos da pandemia. Será fácil para os seus opositores colar a pecha (justa) de negligência.

Em um cenário de crise econômica e de saúde, em que não há a muleta do antipetismo para lhe apoiar, Bolsonaro precisa fazer movimentos consistentes para a recuperação da confiança do mercado, da política, das lideranças. Do contrário, corre perigo.

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