Iremos sofrer pela ausência do hospital de campanha no Arena das Dunas; críticos contarão com o silêncio de quem atua como se opinião obscurantista não matasse

Após o governo do RN anunciar hospital de campanha para ser alojado em Natal, sofreu muitas críticas. A alegação era de que tratava-se de gasto desnecessário e que bastava ampliar capacidade ociosa para o enfrentamento da pandemia ocorrer em paz. O presidente do sindicato dos médicos, Geraldo Ferreira, garantiu que não teríamos colapso.

O governo esclareceu que iria ampliar a capacidade ociosa, mas ainda assim o hospital provisório seria importante. Não adiantou coletiva de imprensa e pactuar ação com o ministério público.

Mesmo com todas as indicações e recomendações dando conta de que nosso sistema iria colapsar – apenas este blog publicou estudo feito pela USP e pela UFMG a respeito do assunto -, críticas vieram de todos os lados. Muitas fake news circularam com falsas comparações de valores e utilizando a Arena das Dunas, espaço em que ele seria instalado, como símbolo negativo. Médicos fazeram vídeos alegando que as vagas do setor público e privado resolveriam. Apesar de ser uma indicação técnica da organização mundial da saúde e do ministério da saúde, o equipamento temporário seria “sumidouro de dinheiro público”. Após contestações e guerra judicial, a contratação do hospital atrasou e, depois de duas chamadas públicas, nenhuma organização social apareceu para efetivar o serviço.

Resultado. Hoje (8), mais de 90% dos leitos de UTI estão ocupados. O Rio Grande do Norte pratica menos de 50% de isolamento. Mesmo com a ampliação do sistema de saúde, caminhamos para a impossibilidade de atender todo mundo. O hospital de campanha, que deveria ser consenso político – mas não foi -, não saiu do papel.

A fatura será paga provavelmente pelos mais pobres e dependentes do SUS. Os ricos conseguem leitos no setor privado e até estão até viajando em UTI móvel para outros estados. Não passarão aperreio.

E os críticos? Irão desaparecer, óbvio. Com o silêncio complacente de quem atua como se opinião obscurantista também não matasse. Mas o fato é que ficarão com sangue nas mãos.

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