Jaguncismo institucional: uma prática autoritária na Câmara Municipal do Natal que precisa acabar

O vereador Robério Paulino denunciou que está sendo boicotado pela presidência da casa na Câmara Municipal do Natal. Em entrevista ao Saiba Mais, ele disse que seus 26 projetos estão encostados nas comissões, pendentes de avaliação. A vereadora Ana Paula também já criticou a conduta.

É um problema grave de fato e que precisa acabar. Uma lógica antiga e que Paulinho Freire, presidente da casa, até agora não alterou. Funciona assim: se você não vota com o presidente eleito do legislativo local, seus projetos passam a ser paralisados. Os parlamentares aliados à mesa diretora pedem pareceres e mais pareceres para a procuradoria ou dentro das comissões, para que suas ações não andem nunca. Eles são meramente protelatórios. Na maioria das vezes, dúvidas pueris apenas levantadas para embarreirar. Os vereadores ficam se alternando nas solicitações de informação. Com isso, o mandato fica parado e o eleitor pensa que o vereador não está produzindo.

Há também cobertura desproporcional da assessoria da câmara no que tange os atos dos parlamentares não alinhados. Ela super funciona para o presidente da casa e é suprimida para os seus críticos. Recursos humanos, de exposição e outros acabam servindo a interesses pessoais do presidente e não de representação dos mandatos conferidos pelo povo de Natal.

É por isso que, diante dessa lógica, ninguém lança nome de oposição e as candidaturas para gerir a câmara são únicas. As ameaças já correm na escolha do presidente da casa. O político sabe que, se for candidato e perder, sofrerá por até quatro anos nas mãos dos vereadores do status quo. O maior oposicionista, por questões de sobrevivência, vota com a situação. Forma-se um falso consenso por ausência de democracia e supressão da minoria.

Natal é uma cidade de quase um milhão de habitantes. Não deveria mais existir espaco para esse jaguncismo institucional.

Deixe um Comentário