Jean Wyllys na semana da cidadania lgbt em Natal: “A melhor forma de resistência que a gente pode ter agora é a candidatura do Lula”

A abertura da Semana da Cidadania LGBT+ de Natal, que está acontecendo de 17 a 21 deste mês, contou com uma live com a participação do jornalista, professor universitário, pesquisador e ex-deputado federal, Jean Wyllys. Importância da representação na política, a morte de Marielle Franco, o bolsonarismo como seita e a candidatura do presidente Lula como forma de resistência nas eleições 2022 foram apenas alguns dos temas tratados por Wyllys.

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Sobre ser inspiração 

Eu tenho dificuldades quando as pessoas me elogiam dizendo que eu sou uma inspiração. Eu sou ruim de receber elogios. Eu quero me apresentar como demasiado humano. Eu sou uma pessoa cheia de contradições, mas, apesar de ter minhas essas contradições, eu tenho a certeza que sempre estive lutando certo, porque eu estava do lado da justiça e do lado do amor. Da luta pelo reconhecimento pelas diversas formas de amar; pela dignidade das pessoas. 

Importância da representação

Faz toda diferença quando você tem em uma “mesa” que vai debater os rumos do país (como um parlamento), pessoas que representam determinados segmentos da população. Nesse sentido, os LGBTs precisam de mais representação, os indígenas precisam de mais representação, as mulheres precisam ser melhor representadas, as mulheres negras ainda mais; os trabalhadores, precisam de mais cadeiras. Quando a política está tomada apenas por homens brancos, ricos; por empresários e por pessoas heterossexuais, eles dão o rumo para o pais que eles querem. O rumo que beneficia eles.

Reação da sociedade

Não existe forma de poder e de dominação sem uma resistência. O assassinato de Marielle, por exemplo, foi um assassinato político, que, seguramente tem a ver com o narcoestado que o Rio de Janeiro se transformou. Ou seja, eles mataram Marielle daquela maneira brutal e atacaram a memória dela com mentiras porque ela era uma ameaça. Mas a resistência a isso, foi imediata, e, na eleição seguinte, várias mulheres negras foram eleitas como uma resposta da sociedade. 

O Exílio

O exílio também é uma forma de resistência de você se manter vivo numa luta. Quando você sabe que o ambiente que você está torna-se um ambiente perigoso.

Lugar Social

Eu não vou ficar no lugar que a sociedade hétero normativa acha que eu devo ficar. O meu lugar é qualquer lugar. Eu não vou falar só de LGBT porque eles querem me colocar esse rótulo. Eu vou falar do que eu quero. Por isso que (agora) eu tô falando da grande política, dos temas econômicos. Isso sempre incomodou na minha postura. Desde do tempo que eu estava no Congresso Nacional

Era Desinformação

A desinformação sempre foi perpetrada. O nazismo mostra como uma mensagem pode estar a serviço de uma propaganda de um estado genocida. A gente sabe que os meios de massa perpetraram desinformação. A Globo, perpetrou desinformação muitas vezes, contra Lula e contra o PT. Hoje existem novas tecnologias da informação que permitem uma desinformação mais insidiosa, mais eficaz; que manipula muito mais os sujeitos do que a comunicação de massa. E a mentira, a Fake News, que produz um dano terrível. Quando a verdade se estabelece, os danos nunca são reparados por completo. 

O Bolsonarismo é uma seita

O que falta hoje é um trabalho de educação que dê às pessoas condições de pensar. Algo como o Paulo Freire organizou. E não doutrinação, para que elas possam sair, do que eu estou chamando de subjetividade de seita, que é essa coisa de você estar ligado em um grupo e você repetir o que a seita diz e nunca questionar. No caso do Bolsonarismo, é a união dessas duas coisas. Ele é uma seita política baseada na ignorância. Os bolsonaristas gostam de ser ignorantes.

A resistência é Lula

Há múltiplas formas de resistir. Desde a reorganização de um movimento de periferia através da cultura. O movimento feminista organizado que tem tecido uma rede de resistência. Tem as instituições da sociedade civil que estão respondendo, ainda que devagar, mas estão respondendo como a OAB, a Defensoria Pública, uma parte do Ministério Público. Tem muita resistência!  E a melhor forma de resistência que a gente pode ter agora é a candidatura do Lula. É o Lula que tem a chance de derrotar eleitoralmente esse facismo que estamos vivendo.

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