Jornalista lança livro sobre divisão da família Rosado na política de Mossoró

Uma das famílias com atuação na política mais tradicionais do estado, a família Rosado, com raízes em Mossoró, se manteve dividida por pelo menos trinta anos após a década de 1980. A cisão entre o grupo capitaneado por Carlos Augusto Rosado e o liderado por Ivan Rosado marcou a política do município e do estado nas últimas décadas.

O assunto é detalhado no livro “Os Rosados Divididos: como os jornais não contaram essa história” (Sarau das Letras), de autoria do jornalista Bruno Barreto. A obra, resultado da dissertação de mestrado em Ciências Sociais e Humanas na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) do autor, será lançada na próxima quinta-feira, 21, em Mossoró.

O livro trata da cobertura dos jornais da capital do Oeste durante o período em que a tradicional família Rosado se dividiu politicamente. “Foram pesquisados mais de duas mil edições dos jornais Gazeta do Oeste e O Mossoroense entre 1980 e 1988 em um ano de pesquisa documental”, explica.

A versão em livro passou por alguns ajustes para se tornar mais acessível ao leitor sem perfil acadêmico. “Fizemos alguns cortes na parte mais teórica para ir direto ao assunto que interessa ao leitor ligado em política, mas a essência do livro é a mesma da dissertação”, frisou.

À reportagem do Jornal Agora RN, Bruno Barreto conta que a divisão da família tem um “marco temporal formal”, que foi o ano de 1985, quando o grupo político liderado por Carlos Augusto se aliou a José Agripino Maia para fundar o PFL no estado. O tio dele, por sua vez, Ivan Rosado, migrou para o recém-fundado PMDB. Antes, a família estava no PSD.

“A divisão dos Rosados delineou a política de Mossoró e do Rio Grande do Norte pelos trinta anos seguintes. O grupo de Ivan e Sandra Rosado aderiu ao aluisismo, enquanto o grupo de Carlos Augusto se juntou ao agripinismo. Isso permaneceu até a eleição de Wilma de Faria para o Governo do Estado, em 2006”, acrescentou.

A obra que será lançada na quinta-feira tem apresentação do jornalista e professor de Comunicação Social aposentado Emanoel Barreto, tio do autor, que destaca a convergência entre história e jornalismo. “O homem de imprensa sabe que o tempo é um jogo de armar, especialmente quando trabalha com a pastosa e inconstante bricolagem da política. O livro de Bruno mostra isso em sua organicidade de obra que trata da história enquanto notícia e da notícia como elemento que integra a historicidade do microcosmo mossoroense”, comenta o professor.

O prefácio fica por conta do jornalista Carlos Santos, com forte atuação em Mossoró. Ele registra a abordagem equilibrada em torno de um tema até hoje delicado no município. “O jornalista não faz condenação sumária da mídia impressa, nem manda os Rosados para o cadafalso por livre arbítrio ou sadismo. Tudo é posto à mesa para que o próprio leitor tire suas conclusões, que podem divergir das suas. Outro detalhe: não adota a dialética erística de Arthur Schopenhauer para impor sua razão a qualquer custo e ponto final”, analisa.

O lançamento do livro marca os dez anos de graduação em Comunicação Social de Bruno Barreto. “As coisas acabaram convergindo para que fosse nessa data especial para mim”, frisa o autor. O livro pode ser comprado diretamente com o autor por meio de contato nas redes sociais ou pelo telefone 9.8889-3574.

CURRÍCULO

Bruno Barreto é jornalista graduado em Comunicação Social pela UERN, especialista em assessoria de comunicação pela UnP e mestre em ciências sociais e humanas pela UERN.

Já foi editor de política do Jornal O Mossoroense e apresentador do programa Observador Político. Atualmente é diretor da Agência de Comunicação da UERN, editor do Blog do Barreto e apresentador e comentarista político da 95 FM e TCM.

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