Lênin no passado; Rawls para o futuro: partidos que comemoram ditadores não podem reclamar de astrólogos

O PSOL comemorou em suas redes sociais mais um aniversário de Lênin. Parlamentares eleitos da agremiação também embarcaram na onda.

Há um senso comum em parte da esquerda que separa Lênin de Stalin. Trata-se de erro factual. O líder revolucionário russo não foi tão longe como Stalin na implementação de um regime totalitário, mas iniciou o processo: polícia política, perseguições, confisco de grãos deixando milhares de pessoas morrerem de fome e ordenou o assassinato de milhares de camponeses e opositores demonizados como “burgueses”.

O curioso é que são partidos que jogam dentro das regras do jogo como o PSOL, PCdoB e até mesmo parte do PT. Quando governo, não implementaram nada de absurdo do ponto de vista de qualquer proximidade com o socialismo soviético.

Então porque continuam cultuando símbolos que, nem de longe, seguem na prática?! Penso que é para manter uma áurea revolucionária como mito fundador, atrair novos quadros, o que funcionou bem no passado, e afagar setores minoritários das referidas agremiações que são de fato leninistas.

Beleza. Por esse aspecto é possível perdoar essa ideologia de salão. Só que há custos também embutidos na operação. Não é uma brincadeira sem consequência. Se um partido democrático comemora o aniversário de Lênin, nada impede – acredito que incentiva – que do outro lado astrólogos não sejam também alçados a condição de gurus.

A história do pensamento político tem aspectos maravilhosos. Parte deles está, por exemplo, condensado na obra do filósofo John Rawls. Isso aparece numa visão consequente de meritocracia, que gerou o Bolsa Família, programas de cotas. Por que não incorporá-los ao processo de formação de novos quadros e deixar ideologias retrógradas e autoritárias no canto que merecem? Além do ganho na geração de uma nova militância, ajudaria a dissipar boa parte das teorias conspiratórias que levaram a direita ao poder.

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