Lógica bolsonarista sobre atraso na vacinação no Brasil

Quando alguém na sua família falar que é preciso fazer feira, pela lógica bolsonarista aplicada às compras de vacinas é possível responder: não estamos com a dispensa vazia. Apenas nenhum supermercado se ofereceu ainda para entregar a comida aqui. Quando alguém vier a gente come.

Já são 40 países vacinando, muitos dos quais com a economia mais pobre que a nossa. Eles se anteciparam, fecharam contratos com diversos laboratórios, receberam os pedidos de aprovação e já estão imunizando suas populações.

Como é regra na gestão bolsonarista, ele é bom de gogó e de dividir. Só não de fazer. A pfizer já veio a público dizer que procura o governo desde setembro e sequer foi recebida. A procura por vacinas no mundo já secou os estoques e não o que vir para o Brasil. A própria pfizer já publicizou que não tem estoque significativo para nós até meados de 2021. Deve mandar, no máximo, 500 mil doses e, como cada pessoa necessita de 2 doses, apenas 250 mil alcançarão o imunizante.

Como dormiu no ponto mais uma vez, o presidente Jair Bolsonaro irá apostar na fake news de que a culpa é das empresas, que não pediram autorização junto à Anvisa. Como se tivesse alguma disponível para vir para o nosso país.

Teremos de sonhar com a coronavac, que não sabemos ainda a sua eficácia. Ou a Astrazeneca, a única com condições de abastecer parte de nosso mercado, mas que encontrou atrasos em seus testes.

Até lá, teremos de aguentar Bolsonaro criar polêmica em cima de polêmica, enquanto martela a lorota de que a culpa é das empresas, além do papo antivacina, para manter seu governo e sua base ativos.

Ps. Enquanto escrevia o texto, a CNN publicou reclamação da pfizer sobre dificuldade que vem tendo para aprovar uso emergencial da vacina no Brasil.

Ora, o governo precisa manter a narrativa. Se aprovar, vai alegar o que sobre a ausência de imunizante?

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