Luana, Yamaguchi e o governo dos piores

Um governo extremista acaba por recrutar os piores. E por qual razão? Pela sua posição ideológica, ele é obrigado a bater de frente contra tudo aquilo que a boa razoabilidade preconiza. Os populismos contemporâneos – à esquerda e à direita – agem contra a razão, contra a ciência. Daí apresentarem os piores resultados na administração da pandemia.

Ora, nenhum grande profissional de uma determinada área irá atuar contra os consensos do seu saber especializado, para participar de um governo. O depoimento da infectologista Luana Araújo À CPI da Covid no senado deixa isto bastante claro. Adepta do consenso científico internacional sobre como agir contra o novo coronavírus, ficou apenas dez dias na gestão de Jair Bolsonaro. Hoje, reiterou que falar em cloroquina representa liderar a estupidez mundial frente a uma doença mortal.

Trata-se de um tipo de submissão que é sinônimo de arruinar a própria carreira. Daí que, só quem enxerga a possibilidade de ocupar um cargo que em situação normal jamais atingiria, aceita o nível de autoanulação imposto pela defesa dos absurdos populistas. Sobra para os piores.

O depoimento da médica Nise Yamaguchi a mesma comissão demonstra o quanto servir de apoio aos negacionismos presidenciais é capaz de arremessar uma carreira no lixo. A oncologista saiu da CPI completamente humilhada e certa de que nunca mais terá espaço, para além dos círulos bolsonaristas. E a humilhação não aconteceu porque foi desrespeitada, como alegaram depois os militantes bolsonaristas, uma forma de secundarizar o debate em si. Os senadores foram duros, mas não ofensivos.

O problema é que ela foi diversas vezes desmentida, já que lançou mão de dados e estudos falsos. Afirmou que o Amapá tinha os melhores índices de manejo da pandemia no Brasil em decorrência da aplicação da cloroquina. O senador Alessandro Vieira, pisando em ovos, disse: a senhora não fala a verdade. Também lembrou nitidamente constrangido, por exemplo, que ela citou um estudo da ford foundation que, ao contrário do que ela afirmou, não mostrou benefícios da cloroquina contra covid-19. A vergonha era geral.

Ela mentiu em outras oportunidades e vídeos e entrevistas foram resgatados para mostrar suas defesas da imunidade de rebanho por contágio e críticas contra as vacinas. Após falar que nem todo mundo deveria ser vacinado, o presidente da CPI, Omar Aziz, pediu para que a população não acreditasse no que ela falava. Foi um total vexame. Atraído pelo poder, condição que soube desfrutar durante a pandemia, a médica nunca mais terá espaço algum depois da gestão Bolsonaro. Não tenho dúvida disso.

Há uma corrida de 100 metros quando a avaliação acontece sobre uma gestão extremista. É fazer o ganho material e espiritual que é atingível em alguns anos, para em seguida cair no anonimato. Quando o país retornar ao seu normal, o que irá acontecer, os que deram apoio a esse governo ficarão marcados. E não por pouco tempo.

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