Lula cristianizado, sua base eleitoral e um prognóstico para 2018

Estamos vivendo um momento histórico. Independentemente do modo como você se posiciona em torno do fla-flu, acredito que isto é por ambos os lados reconhecido. Diante do desenrolar dos fatos, fiquei me perguntando, para fins de 2018, como é que o eleitor irá se comportar após a provável prisão de um ex-presidente, que até então, era líder nas pesquisas?

Penso que assim ocorrerá. Minhas hipóteses: a base de Lula continuará protegida. Há dois pontos: um na seara judicial e outro na econômica. A comparação entre o “tempo de Lula” e o atual de Temer continuará a ocorrer. É em parte diante de tal raciocínio que o eleitor mantém seu apoio eleitoral ao ex-presidente. Não há nenhum indicativo de que, mesmo sendo preso, o lulismo se esvazie nesse aspecto ou seja capturado pela oposição hoje com o nome do principal pemedebista do país escrito na testa. O desafio para o PT será o de atuar com palanques estaduais mais fracos do que nos pleitos anteriores e com menos, digamos assim, estrutura.

O segundo aspecto é o eminentemente criminal. E há também uma comparação terrível para os membros da Lava Jato e da oposição ao PT de Lula. O processo dele andou de uma forma incrivelmente rápida. Advogados com quem conversei, inclusive não petistas, relatam estupefatos de que, se normalmente um habeas corpus leva meses para ser analisado pelo judiciário, no caso de Lula alguns foram apreciados em questão de horas.

O contraste entre a atuação do judiciário para com Lula e o PT e demais grandes nomes da política nacional e suas agremiações é o que torna o processo de vitimização do petista uma tendência clara. Se Aécio estivesse preso e Temer destituído, a prisão de Lula não causaria o alvoroço e a sensação de injustiça entre seus defensores.

Mas é isso que gera a cristianização do ex-presidente. Enquanto seu processo andou de forma incrivelmente rápida, Aécio segue como senador e Temer presidente. A percepção de seletividade é facilmente colada na Lava Jato e no judiciário, protegendo Lula.

Há ainda agravantes. Ao presidente Michel Temer foi atribuída, em imagens dignas de cinema, uma mala de 500 mil. Um de seus principais assessores teve apreendido em seu apartamento 51 milhões de reais (se bem conheço o modo como o eleitor raciocina, aquela foto daquela dinheirama ingressou nos seus esquemas cognitivos como grana do Temer e não de Geddel). Aécio foi gravado dizendo que iria matar o primo e pedindo dinheiro a um empresário depois preso. A comparação em prol de Lula é mais uma vez, diante de uma análise relacional do cenário, estabelecida.

Não acredito que o eleitor de Lula – e as pesquisas mostram isso – suponha que ele é inocente. Ele é político e todos eles roubam. Sua base eleitoral (classes E, D e parte da C) pensa assim. A questão é que se trata, como disse um eleitor numa qualis veiculada pela folha, de um imóvel. “E até vereador tem um”.

Enfim, não entra na cabeça do eleitor que, “se todo mundo rouba”, Lula esteja sendo preso por um reles imóvel, num processo relâmpago, enquanto outros políticos permanecem soltos e tranquilos em seus mandatos.

Na minha pretensiosa opinião, a base de Lula permanecerá protegida e a esquerda irá para o segundo turno do pleito de 2018, em face da má avaliação de Temer e do modo como a Lava Jato transmite uma visão verossimilhante de seletividade (mesmo já tendo alcançado nas denúncias todos os partidos).

Claro, os adversários de Lula atuarão para tentar solidificar a ideia de que o encarceramento foi justo, uma forma de desvitimizá-lo. Mas como disse, enquanto os demais nomes da política nacional enrendados na operação não estiverem presos, o discurso da “justiça eficiente e imparcial” não surtirá efeito. Subestimar a capacidade do eleitor é um erro de partida que não cabe cometer.

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