Lula sinaliza com o uso de Fake News; as mentiras instrumentais se espraiam pela sociedade

Talvez por desconhecer os meandros de uma eleição e/ou a literatura especializada sobre campanha negativa, o analista acha que as fake news serão superadas com a reposição da verdade ou pela cobrança ética dos candidatos. A tragédia não é filosófica, mas prática: mentir gera voto, desgasta o adversário e todo mundo vai usar em 2020. Só quando os custos políticos forem mais altos do que os incentivos as fake news pararão. É imprescindível avaliar o cenário com realismo.

Meu ponto de vista é pessimista. As fake news foram quase que em sua totalidade utilizadas por Jair Bolsonaro em 2018. Deu certo. Os demais grupos, sabendo da vantagem competitiva, também abusarão da ferramenta. Ninguém entra em uma eleição para perder e vender bons modos. E se espalhar matérias falsas, teorias conspiratórias e outras atividades semelhantes ajudam a chegar ao poder, é ingênuo supor que um agente político dispensará tais possibilidades apenas pela manutenção de suposta pureza moral.

É diante de tal contexto que se torna possível compreender a tese, já muitas vezes repetida por Lula, de que as revoltas de Junho de 2013 foram iniciadas de fato pela Cia. Há clara sinalização para que a esquerda também construa suas mentiras contra seus oponentes, pois não há qualquer evidência objetiva de que os americanos estejam por trás das manifestações que desgastaram o PT, a presidente Dilma Rousseff naquele momento e abriram os portões para uma direita organizada.

Na narrativa extremista, a “Cia” seria para a esquerda o que o “Foro de São Paulo” representa para a direita. Os EUA estariam, nesse sentido, manipulando as lideranças e os interesses nacionais em prol de suas necessidades. Uma teoria conspiratória nada distante das vendidas pelas correntes de whatsapp bolsonaristas.

Que fique claro. Não há qualquer tentativa de justificar a estratégia lulista. O que está sendo dito aqui é que a esquerda descerá também ao esgoto em busca de se contrapor ao bolsonarismo.

HIPÓTESE

As fake news não ficarão restritas à política eleitoral. Enquanto forem vantajosas, elas também se alastrarão para outras áreas. Imagino a ampliação delas para as disputas comerciais e para a busca de representação de interesses corporativos. Por exemplo, as associações do Ministério Público e do Judiciário promoveram fortes campanhas, com direito a muitas notas, declarações e twittaço nas redes sociais, contra prisão no trânsito em julgado, lei de abuso de autoridade e agora contra juiz de garantias. Dados absurdamente falsos, avaliações sem qualquer pé na realidade e outras narrativas do gênero vieram à tona. Foi um sinal.

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