Militância petista precisa aprender a sustentar suas coligações

Uma parte do PT do RN, ao que tudo indica minoritária mas barulhenta, resiste a formação de uma chapa ampla para 2022. Trata-se de um ranço antigo que dificulta a agremiação de avançar. Fátima Bezerra ganhou com um pequeno grupo em 2018. Foi uma vitória significativa, só que daí veio a decorrente necessidade de governar. Para tanto, ampliou sua base de apoio. É assim que funciona em regimes multipartidários em que, quem ganha, não faz maioria parlamentar no processo eleitoral.

Ainda assim, o bloco na Assembleia Legislativa foi composto não sem intempéries. A própria instauração da CPI da Covid no AL é um sinal da complexidade de compor no poder legislativo. O governo estadual foi investigado numa situação bizarra em que nenhum contrato era atravessado de suspeita.

Agora, para vencer, Fátima precisa ampliar sua composição em prol de uma chapa mais competitiva. E, mesmo que venha fazendo um bom governo, enfrentará uma oposição forte e, não nos esqueçamos, que tem o apoio da máquina pública federal. Sim, o presidente Jair Bolsonaro está muito mal avaliado. Porém não é bom subestimar. No federalismo centralizado brasileiro, em que o governo federal fica com a maior parte do bolo tributário, é de bom tom se precaver bem ao entrar numa disputa contra representantes da presidência.

Os diálogos no RN e no Brasil visam derrotar o bolsonarismo. E a militância petista e seus representantes mais próximos, ao rechearem a imprensa com declarações puristas e isolacionistas, criam duas consequências. 1. Dificultam o próprio jogo político de composição. E 2. acabam por gerar munição para os próprios adversários. Sim, uma deputada federal como Natália Bonavides pode até se beneficiar do ponto de vista eleitoral pela proximidade que tem com a base mais petista com um ataque ao MDB, que está em negociação nacional e estadual com o PT. Só que sua simpatia contraída ocorre ao custo de expor o próprio partido e, ao mesmo tempo, gerar ataque pelos adversários. Por isso que declarações como as aqui debatidas recebem ampla cobertura da imprensa antipetista.

Derrotar o bolsonarismo não vai ser fácil e a militância petista deve ter a devida compreensão da empreitada que irá enfrentar em 2022. Será civilização x barbárie, defesa da ciência x discurso antivacina, democracia x populismo autoritário e, aviso, não está dado na partida quem será o vencedor. Sem senso de estratégia e engajamento, o resultado pode vir a ser o pior possível. Não é bom emprestar margem para o azar.

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