Sobre a movimentação de Kelps e o bolsonarismo em Natal

O deputado estadual Kelps Lima conseguiu o importante apoio do PSL, ex-partido do presidente Jair Bolsonaro, para disputar o pleito em Natal. A operação foi interessante porque gera bases bolsonaristas e tempo de tv.

Porém, a operação esconde um perigo. Kelps não é uma pessoa extremista e seu eleitorado também não. Ainda assim, ele fez acenos ao bolsonarismo em Natal após o anúncio da aliança. Ocorre que, com a pandemia, o presidente e seu eleitor, que já primavam pelo radicalismo, foram ainda mais para o extremo.

E aí mora o risco para Kelps. Ele pode ser levado a ingressar no pleito em Natal, tendo que defender a forma como o governo federal (não) enfrentou a pandemia e sendo obrigado a caminhar com o extremismo bolsonarista.

Em resumo, pode perder o espaço da moderação, sem necessariamente ganhar com a ida mais à direita, que será um campo também disputado por outras candidaturas com menos substância mas com o gogó portador de saúde para gritar bastante.

O desafio para ele e os demais que atuarão nesse campo é ganhar o voto antipetista de uma parcela natalense, mas sem perder contato com o centro moderado e, portanto, não ser enquadrado como um radical bolsonarista. A junção das duas bandeiras pode render votos mas também uma rejeição maior geradora de um incômodo teto eleitoral. Pelas últimas pesquisas publicadas, não está dado que o bolsonarismo será fator determinante em Natal. Aliás, o contrário parece fazer mais sentido.

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