Mudança de rota na prefeitura de Natal contra segunda onda de covid-19

A prefeitura do Natal anunciou o cancelamento de shows, festividades públicas de Natal e o carnaval de 2021 em decorrência da segunda onda de covid-19 que se avizinha. Além disso, limitou aglomerações ao número máximo de 50 pessoas.

Além de saber se isso na prática será fiscalizado – este blogueiro segue cético sobre o assunto -, há ao menos no discurso uma mudança de rota significativa. As portas da reeleição, Álvaro Dias bateu de frente com o ministério público. O MP pediu para que as propagandas fossem direcionadas para a conscientização sobre a covid-19, mas até calçamento foi alardeado pela prefeitura em horário nobre na Tv. O MP também fez críticas sobre a condução da fila de acesso às UTIs durante o pico da primeira onda da pandemia, já que, segundo o parquet, a prefeitura não estava respeitando o andamento conforme organização estabelecida pelo ente regulador. Por fim, Álvaro Dias deu forte enfâse a ideia de profilaxia com a distribuição de ivermectina e relaxou medidas de isolamento no bairro do alecrim e feiras livres em plena pandemia. Os atos também entraram no radar do MP na época.

Representando 24% da população do RN e com 41% dos óbitos no estado, Álvaro Dias fechou acordo com o ministério público para as medidas agora anunciadas e, até o presente momento, não falou em profilaxia que não tem respaldo científico.

A mudança de rota se relaciona com a forma com que medidas duras no momento eleitoral poderiam custar votos ao prefeito. Atender a população que ansiava por remédios, gerando falsa sensação de assistência e proteção, e afrouxar regras eram incursões mais interessantes do ponto de vista eleitoral. Agora, não. Recém eleito, o cálculo eleitoral acaba sendo relativizado.

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