Natal começa a se aproximar de sua imunidade de rebanho e é por isto que o contágio caiu na cidade; uma simples comparação com outras cidades aponta que Ivermectina é engodo

Especula-se, com escassos fundamentos – a ausência esta sendo inclusive reconhecida pelos enunciadores da hipótese -, que a ivermectina fez diminuir a curva de contágio por covid-19 em Natal. E pior. Que nós seríamos um caso de sucesso para o mundo. A narrativa está na imprensa local capitaneada por profissionais de saúde ligados ao prefeito Alvaro Dias, que vêm recebendo amplo espaço sem qualquer contraditório.

Ora, Natal não pode ser considerado sucessa no quesito nem para o Rio Grande do Norte. Que dirá para o mundo. Com 24% da população, a cidade conta com cerca de 40% dos óbitos que ocorreram por covid-19 em terras potiguares.

E mais. O primeiro caso em Natal foi no dia 12 de março, João Pessoa, capital vizinha, no dia 18 de março. Em São Paulo, o primeiro caso surgiu no dia 26 de fevereiro. Se estamos tão bem, nossa situação é bem melhor do que as duas cidades citadas, certo? Errado.

Desde julho que já ultrapassamos a cidade de São Paulo, seguimos na frente de João Pessoas e nos aproximamos de Manaus no número de óbitos por covid-19 por milhão (veja o gráfico abaixo).

Que exemplo de sucesso é esse? Essas cidades não distribuíram remédio para piolho como preventivo para covid-19 e apresentam números melhores do que a gente.

Veja, caro leitor, nem menciono que a ivermectina não tem efeito contra covid-19 comprovado e não é utilizada por nenhum país que de fato tenha apresentado sucesso contra a pandemia (Alemanha, China, Japão, Coreia do Sul, Tailândia, etc).

A queda do contágio em Natal – assim como em São Paulo – ocorre porque nos aproximamos da taxa em que começa a funcionar a chamada “imunização de rebanho”, ou seja, quando uma cidade atinge cerca de 20% da população infectada, conforme especialistas vêm afirmando e constatando (leia aqui). Nada, portanto, tem relação com panaceia.

Hoje, por exemplo, a agência Brasil publicou pesquisa em que aponta que São Paulo já tem mais de 18% da sua população infectada (leia aqui). Como Natal tem mais óbitos por covid-19 por milhão do que São Paulo, provavelmente estamos em patamar superior.

Em resumo, o sucesso tão propagado não resiste a uma simples comparação com um punhado de cidades.

Veja, além disso, matéria do fantástico da rede globo em que a ivermectina aparece como engodo distribuído por prefeitos em tempos de pandemia e eleição aqui.

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