Natal tem vitória da ciência, do direito e da vida

A cidade do Natal teve uma tragédia dentro da outra tragédia que foi e continua a ser a pandemia de covid-19. Foi vítima da maior operação de enganação diante de uma patologia incurável. Mas hoje podemos assistir uma pequena vitória local contra a mais escancarada incursão de clientelismo eleitoreiro da história da chamada cidade do sol.

Provocado pelo senador Jean Paul Prates, conforme o portal Saiba Mais, “o juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública Cícero Martins de Macedo Filho proibiu a prefeitura de Natal de fazer propaganda do antiparasitário Ivermectina como medicamento preventivo no combate a covid-19. O magistrado também determinou que o município retira o remédio do protocolo de tratamento contra o novo coronavírus elaborado pela secretaria de Saúde”.

Cabe lembrar que, sem nenhuma comprovação científica, o prefeito de Natal, Álvaro Dias, veio a público dizer que médicos natalenses tinham encontrado o remédio de prevenção contra covid-19, a ivermectina. Foi uma farsa banhada de mentiras, obscurantismo e sangue. Em TVs abertas, disse: “se funciona in vitro, funciona em vivos também”, o que é absolutamente falso. Há registros de falas do prefeito, que é médico, dizendo em canais de comunicação de massa como a população deveria fazer uso do medicamento para se prevenir contra o novo coronavírus. Esse tipo de prescrição é completamente ilegal.

A propaganda de distribuição de ivermectina se fez nas redes sociais durante o processo eleitoral sem qualquer tipo de freio, o que representou a morte para muita gente. Quantos não se acharam protegidos e se expuseram ao vírus? A publicidade perversa é percebida até hoje. Conforme o LAIS/UFRN, em março de 2021 71% das pessoas internadas em estado grave no RN tinham feito o uso profilático da ivermectina.

A correlação já foi bem fundamentada, inclusive aqui neste blog através de pesquisa de opinião. Quem toma o vermífugo como prevenção contra covid relaxa para as medidas que realmente importam e termina morrendo mais do que quem não acredita na verborreia.

A proibição representa vitória da ciência, pois que autoridades sanitárias nacionais e internacionais, a academia e as sociedades médicas do país não recomendam ivermectina contra covid. É o ganho do direito. Afinal, quantas leis não foram afrontadas com a propagação em tempos de campanha de remédio ineficaz, através de prescrição em massa? E, principalmente, da vida. Natal tem os piores índices do RN de caso e de óbitos, pois centrou toda a sua política num medicamento inócuo contra covid-19.

Foi tarde. Porém, nem por isso deixa de ser importante. Que o prefeito e quem contribuiu para esse estado de coisas sejam também alcançados pelo rigor da lei.

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