O bolsonarista não liga para a corrupção; a sua agenda é a da regressão

O presidente Jair Bolsonaro negocia com Valdemar da Costa Neto, líder do PL, e com os caciques do PP. São os dois partidos que disputam o passe pelo ingresso do presidente em suas fileiras. Estamos falando de um dos principais alcançados pela Lava Jato na pessoa física, o Valdemar, e o PP na pessoa jurídica. Não há qualquer ranger de dentes para o fato, nem para os escândalos no governo (no meio ambiente, no ministério da economia e da saúde, por exemplo) e a forma com que Bolsonaro demite, assim a luz do dia, superintendentes e delegados que iniciem qualquer investigação contra ele e sua família, ou membros do seu governo. A questão que move o bolsonarismo no Brasil, inclusive antes de Bolsonaro, é uma agenda regressiva.

Pelo que é possível observar nas manifestações bolsonaristas e nos alvos escolhidos por eles, estes seriam os pontos gerais:

A corrente de opinião está alicerçada na ideia de que a crise brasileira acontece em decorrência da mulher não se dá ao respeito e sair do seu local de recato;

A permissividade, nessa visão de mundo, tomou conta também em relação ao fato de que grupos LGBTs vivem as suas vidas no espaço público como os demais cidadãos;

A masculinidade em questão se sente ferida;

Negros são enxergados como privilegiados porque acessam as mesmas oportunidades do que os brancos, através das cotas;

As classes médias e as mais abastadas se ressentem com a aproximação dos pobres;

Por fim, as classes médias querem o fechamento do mercado, impedindo a chamada inflação dos diplomas com o alargamento do acesso às universidades. Isto é visto entre advogados e médicos defensores do fechamento de centros de formação, para que suas mãos de obras não se desvalorizem.

Esta é a base do bolsonarismo. Um ressentimento indisfarçável contra a mudança e a ideia de que o retorno ao passado, não apenas é possível, como também desejável para o restabelecimento da “ordem do mundo”. A corrupção era mero biombo.

Não adianta argumentar e imaginar que demonstrar as inconsequentes ações de Bolsonaro diante da pandemia e da economia irá convencer o bolsonarista a mudar sua opinião. O PSDB deu o início a essa agenda regressiva, mas é o presidente que mais fortemente a carrega hoje. E, sejamos claros, por essa pauta quem ainda se encontra com o “mito” irá com ele até o fim.

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