O debate sobre erros e acertos dos institutos no RN esconde que há analistas políticos que não acertam uma em terras potiguares

Muito se cobra dos institutos de pesquisa sobre erros e acertos nas campanhas eleitorais do RN. Pouco porém se fala sobre os erros dos analistas políticos em seus prognósticos. Há gente que não acerta uma e mantém toda a legitimidade para continuar sempre em pegada semelhante. São portadores de costas largas numa ambiência em que a opinião publicada é monopolizada nas mãos de poucos.

O debate sobre erros e acertos dos Institutos de Pesquisa, que é legítimo e há de fato os que erram bastante – mas pode ser objeto para outra postagem -, esconde, quando apenas fincado nele, as previsões mais absurdas depois não contestadas. Não precisa ir muito longe. Analistas políticos locais disseram que Henrique Alves seria governador em 2014 e Wilma senadora. Muitas defenderam a vitória de Iberê em 2010 ou mesmo, mais recentemente, vários deram como certa a candidatura de Ezequiel ao governo do RN em 2022. Garibaldi seria senador em 2018. Nada disso se processou. E, no entanto, os perpetradores de tais narrativas não foram chamados à explicação ou sofreram críticas acerca de seus pontos de vista.

A questão não é apenas eleitoral. Durante a pandemia, analistas locais deram toda a legitimidade para o uso como política pública de um remédio sem qualquer comprovação científica, como se fosse algo válido. A comprovação nunca veio. Pelo contrário. E o resultado é conhecido pelo número de mortes em Natal em relação ao RN e ao Brasil. Recentemente, em um programa de radio, este blogueiro entrou numa disputa argumentativa em que o interlocutor nos acusou de inventar um cenário em que a inflação caminharia em prol de sua elevação. A história é sempre senhora da razão.

Errar é humano, diz o ditado. Mas olhar apenas para as pesquisas e se fechar para o contexto em que analistas sustentam as apostas mais carentes de realismo, permanecendo com todos os espaços públicos sempre para tanto, é seletivo. A não ser que o tiro distante do alvo vire um objetivo, isto só pode ocorrer numa esfera pública pouco competitiva em que uma minoria goza de proteção em favor de análises frágeis ou politicamente interessadas.

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