O dia 12 e o salto alto contra Bolsonaro

Não cabe negar a existência de muitos e justificados ressentimentos. O Movimento Brasil Livre trabalhou pelo bolsonarismo antes da existência concreta de Jair Bolsonaro. Eles invadiram museus, universidades e hospitais e criminalizaram, entre outras áreas, a docência no país.

Mas o que está em questão de fato nessa divisão sobre o dia 12 de Setembro em relação ao ato contra Bolsonaro puxado pelo MBL, e que as esquerdas já disseram que não vão, é que a bandeira do antibolsonarismo será provavelmente muito forte em 2022. Desta forma, ninguém quer correr o risco de dividir tal espólio, ainda mais com ex-apoiadores de Jair Bolsonaro como o MBL.

À oposição mais viável hoje contra Bolsonaro – o PT – também não interessa um processo de impeachment, já que ele, possivelmente, abriria caminho para a tão sonhada “terceira via”, hoje cantada em verso e prosa pela imprensa, partidos de centro direita e setores dos mercados. Prefere manter Bolsonaro sangrando no cargo.

O problema é que há salto alto nessa visão. A reeleição de Jair Bolsonaro é muito difícil. Porém, é preciso ponderar que 2022 ainda não é prego batido, ponta virada. O presidente continuará na sua incursão pelo desgaste das instituições e não se sabe exatamente em que cenário nós iremos chegar.

As esquerdas têm protagonismo e pessoal para sobrepujar qualquer movimento, pois as ruas estão aí para todos. Há um erro de concepção – intencional? – ao aceitar que o protesto é de propriedade de A, B ou C. Não faz sentido.

Um ato posterior e menos consistente do que o de 7 de Setembro pode funcionar como discurso de revitalização para Jair Bolsonaro. Pode não, vai. Seria hora de fazer aquilo que se chama em eleição de interior de “apagar o rastro” – uma manifestação maior e mais organizada. Com o titubeio, Bolsonaro ganha tempo como um precioso recurso para o seu projeto de arregaçar as instituições e brincar de pequeno Trump. Um presidente que ficou mais de um ano, mandando os seus eleitores para a morte numa pandemia, através da falsa promessa de cura a partir da prescrição de remédios ineficazes, não deveria receber uma colher de chá como essa.

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