O kit covid serviu para fazer o que os bolsonaristas passaram a pandemia apontando em seus críticos: negar atendimento e esconder óbitos

As denúncias sobre o uso de kit covid durante a pandemia pelos planos de saúde podem ser resumidas em um ponto. A pressão para receitar remédios ineficazes serviu justamente para aquilo que bolsonaristas apontavam como prática de seus opositores. Cloroquina, ivermectina etc eram ponta de lança para gerar uma “satisfação” aos pacientes e mandá-los para casa. Assim os custos caiam. A mimese, atitude de atacar o outro com aquilo que se pratica, é estratégia recorrente nos movimentos de extrema-direita.

Isto porque, caro(a) leitor(a), não receitar remédio ineficaz não era sinônimo de abandonar o doente. Pelo contrário. Demandava a maior necessidade das chamadas ações de suporte – consultas, acompanhamento constante da evolução da doença e, se fosse o caso, internação. Tais ações são trabalhosas e incomparavelmente mais onerosas, sem qualquer perspectiva de geração de uma normalidade inexistente.

A prescrição do kit covid passava a impressão de que algo está sendo feito e a doença em pleno tratamento. Desta forma, o paciente ficava em casa sem ocupar leitos, sem demandar acompanhamento médico para o que realmente era efetivo e recomendado pela ciência. Os lucros eram inflados a revelia da vida das pessoas.

Por fim, quando a pessoa falecia, no caso da prevent senior, a codificação da doença era alterada sob a falsa justificativa de que já haviam passado 14 dias e a pessoa não estava mais com covid. O “sucesso” no enfrentamento da pandemia, além da no negócio, estavam garantidos.

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