O que a direita radical odeia na UFRN

Há um grupo de jovens que se reúne para orações no setor II da UFRN. Sempre os vejo por lá. Sabe quem liga? Ninguém. Nos murais há cartazes de seminários, de protesto, de eventos variados. Universidade é isso. Espaço de estudo e de convívio da diferença e é o que a direita radical odeia.

Os alunos evangélicos fazem uma roda no corredor e trocam experiências. Estes e outros acontecimentos são invisibilizados pelos que querem impor uma harmonização forçada à universidade. O ataque contra o “comunismo” da UFRN é na verdade a insatisfação de um grupo de radicais por não conseguir controlar um espaço social aberto. É o homem unidimensional como meta.

Há diferença das faculdades privadas aonde também já dei aula e elas são elucidativas. Nelas só ouvir a apresentação do professor é permitido. Os murais são fechados no cadeado e só o que a instituição quer pode ali aparecer. Os alunos são obrigados a usar calça e camisa. Isto tira o sentido da universitas, base do conceito da universidade, o direito ao exercício da diferença. É o que eles querem.

Claro, quem investe contra UFRN, tentando se fazer passar como defensor da liberdade, que só vale se for só a sua, procura obter ganhos financeiros de monetização nas redes e político-eleitorais. Mas há uma ideologia e um apelo para os pais amendrontados e desejosos de exercer um controle sobre seus filhos inexistente no mundo moderno. Enxergar na universidade o momento de subversão da consciência boa do filho já adulto visto ainda como infantilizado afaga a alma – “ele age diferente de mim e não deseja o que eu quero para ele porque caiu nas garras dos docentes maléficos da universidade”. Porém, além de uma visão falsa – o professor já fica feliz quando consegue influenciar o aluno a ler o conteúdo da disciplina -, o indivíduo se coloca como peça de manipulação de pessoas, estas sim preocupadas em acabar com o que torna a vida numa sociedade complexa possível.

Não é necessário ir muito longe para compreender a relevância dos serviços prestados pela instituição em pauta. Para onde quer que se olhe, qualquer um verá que a UFRN exerceu papel fundamental durante a pandemia no RN. Não apenas porque os profissionais ali formados atuaram em diversas frentes, mas também com a confecção de exames, ações de planejamento e monitoramento. Quem atenta contra isto não está carregado de boas intenções. Quer, pelo contrário, o pior dos mundos.

Sem universidades livres a sociedade perece a mercê da assombrações e demônios que os agentes arrotadores de alma superior dizem representar. Defender a UFRN é a perspectiva básica de qualquer um que sonha com um RN melhor.

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