O que está por trás da união entre Mdb e PSDB e o anúncio da possível “candidatura” de Ezequiel ao governo

Durante o fim de semana blogs e portais publicaram que o ex-senador Garibaldi Alves entrou em contato para dizer que ouviu que Ezequiel seria candidato ao governo e Walter seu vice. A ação ocorre mesmo após Ezequiel emitir nota lembrando que só ele pode falar sobre seu futuro. Daí as aspas no título da postagem. O óbvio foi esquecido. Mas por qual razão Garibaldi tomou tal atitude? Ora, há um jogo intrincado que dificulta a junção entre PT, Mdb e PSDB para a formação de chapa em 2022.

A composição estava praticamente fechada só que recuou algumas casas nos últimos dias. Vamos por passos. O Potiguar teve acesso ao teor do encaminhamento das negociações.

O MDB E O PSDB

Os dois partidos citados acima se juntaram em prol de uma marcha conjunta para 2022. Com isto, o Mdb se fortalece na aproximação com o presidente da assembleia e dos tucanos Ezequiel Ferreira e ambos ganham maior poder de barganha.

Agora, tanto podem pressionar a chapa governista por maior espaço, esvaziando o grupo bolsonarista local, como também podem criar chapa própria. A coisa vinha sendo encaminhada para o engabelamento do ministro bolsonarista Rogério Marinho, pré candidato ao senado, com quem Ezequiel tem acordos.

O QUE O MDB QUER

Com a união, o Mdb voltou a pleitear a vaga de vice governador na chapa de Fátima. A cadeira nunca foi negada. Só que o PT passou a não querer mais o nome de Walter Alves nesta condição pelo ingresso de Carlos Eduardo como pré-candidato ao senado. Dois Alves na chapa deixam a composição pesada e refém de possíveis investidas dos opositores que enquadrariam o grupo como um “acordão”.

Após reuniões entre PT e Mdb ficou acertado que Walter e Garibaldi indicariam o Vice e Walter seria presidente no segundo biênio da Assembleia após eleito deputado estadual. O problema é que Garibaldi quer o filho governador e com a máquina para tentar a reeleição em 2026. Por isso soltou, sem autorização de Ezequiel, que ele é pré candidato ao governo. E, depois do acerto, recuou e voltou a pedir a vice governadoria para o hoje deputado federal Walter Alves.

O QUE TEME O PT

Além do temor da chapa pesada e sem possível discurso, há outro problema. Walter de Vice e Ezequiel de presidente no primeiro biênio do poder legislativo trariam um governo potencialmente tutelado e instável para Fátima. A governadora ficaria a mercê de pedidos de impeachment por qualquer coisa e em seguida nas mãos de Ezequiel, de toda a assembleia e de Walter.

Seriam quatro anos da Assembleia tendo todo o poder de barganha possível sobre orçamento, cargos e escolhas do governo, com a pressão que teria contra a governadora nessa configuração obrigada a ceder mais do que já cede ao poder legislativo, e sem qualquer ônus para os deputados de governar. Fátima estaria sentada na cadeira, mas o governo seria na prática transferido – só a parte boa – para a Assembleia, para Ezequiel e o próximo presidente do segundo Biênio em período de novas eleições em 2026.

Imagine de forma prospectiva, caro leitor: os anos são 2025 e 2026 e o presidente da Assembleia é alguém indicado pelo grupo de Ezequiel junto com o Mdb do vice governador Walter Alves, sedento pela cadeira de chefe do executivo. A Assembleia é hoje no RN o maior poder de influência sobre a imprensa e o Mdb tem amplo trânsito entre grupos empresariais. Ora, a probabilidade de Fátima não terminar o mandato estaria sempre na mesa de forma factível. Sem se cercar de garantias de proteção contra esta configuração, o medo do PT é bem verossímil.

PAGANDO PARA VER

Diante da mudança súbita de opinião do Mdb, que tornou a pedir a vice governadoria para Walter, os petistas resolveram pagar para ver e a ação de Garibaldi no fim de semana municiando a imprensa foi mais um esticar de corda (não um rompimento com a possibilidade de união).

Se querem mandar na chapa sem qualquer ponderação, que lancem uma própria, ouviram os articuladores do Mdb da boca de membros do PT. O contexto segue indefinido.

FINALIZAÇÃO

A questão é que, tanto Mdb como Ezequiel, sabem o que seria uma campanha com Bolsonaro e Rogério Marinho nas costas no RN. O problema extremamente complicado para eles é nublado com o discurso: temos mais de cem prefeitos, dezenas de deputados e etc. Esta formulação é retórica, não apenas porque o passado mostrou que vários candidatos já perderam com todo apoio da classe política, como também seria tarefa hercúlea se opor a Lula com 50%, 60% dos votos e defender Bolsonaro com cerca de 25% de aprovação, além de Rogério com sua reforma trabalhista.

O grupo conta com políticos experientes. Eles municiam blogs e portais do eixo Petrópolis-Ponta Negra, mas os ouvidos se encontram nas periferias de Natal e grande Natal e, principalmente, no interior do RN. Por isso não se lançam de fato e ficam nesse processo de pressão em prol da união com Fátima.

O fim de semana não foi a cena do último capítulo dessa história. E, enquanto Rogério Marinho espera que Ezequiel e Walter sejam os seus batedores de esteira, os dois continuarão até aonde for possível na linha da tentativa do acordo que querem com o Governo. Fátima, enquanto isso, procura conduzir a união de um modo que isto não signifique vencer e não levar. Muita coisa ainda vai rolar. É aguardar e conferir.

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