O que o Fla-Flu em torno do projeto “escola sem partido” visa esconder

O QUE O FLA-FLU EM TORNO DO PROJETO “ESCOLA SEM PARTIDO” VISA ESCONDER

O projeto Escola sem Partido parte de dois erros fundamentais. Não define o que é doutrinação e defende um populismo em que não há fatos passíveis de serem verificados, debatidos e transmitidos – como a ditadura de 64 – mas versões resultantes de uma disputa política. A ideia de doutrinação serve para impor obscurantismos, por um lado, e o papo de falar “todos os lados” visa esvaziar acontecimentos críticos inconvenientes, por outro. Em suma, o projeto é anticiência e autoritário. Como tal, não deve prosperar.

Mas por qual razão ele ganha o coração e mente das pessoas? Enquadrar o mal estar de todo mundo que já passou por uma federal como adesão direta e vazia ao autoritarismo puro e simples é uma forma de esconder os casos de assédio e os problemas inegavelmente existentes dentro de uma instituição acadêmica. É uma apresentação fla-flu que tem como objetivo retirar a complexidade da questão.

As situações de assédio, não necessariamente por conta de política, os problemas, os desrespeitos, as instrumentalizações ilegais do espaço público, a máquina de moer gente que a vida universitária pode representar e o modo como os poderes intra-muros não conseguem encaminhar a resolução de tais acontecimentos são canalizados como energia ressentida que agora cobra preço.

É o que não pode ser falado na disputa e se encontra no meio de toda essa confusão. É algo que desagrada os simpáticos ao projeto escola sem partido porque desarma um dos modos pelos quais ele angaria apoio social, reconhecendo queixas mas propondo mais liberdade e não sufocamento da reflexão como querem seus defensores. Por outro, deixa descontente os falsos protetores da liberdade de pensamento que querem, na verdade, que situações inconvenientes continuem recebendo o tratamento atual. Ou seja, nenhum.

É preciso defender a liberdade de pensamento e de debate, inclusive contra às interações heterônomas que fazem parte do dia a dia de uma universidade. Se não, o clamor a favor da liberdade de pensamento não passará apenas de estratégia marota para o velho corporativismo de quem não quer ser incomodado.

Bem, toda vez que eu emito essa opinião sobre escola sem partido e liberdade universitária, sempre aparece alguém para me dizer e estou certo que assim fala porque quer meu bem: “olha, dizer isso publicamente atrapalhará suas pretensões, você sabe”.

Ou então, mais ou menos assim: “eu concordo com você que nas universidades os casos de assédio são mal encaminhados, mas eu não quero dar moral para os reacionários”.

O silêncio é um dos combustíveis contra o que ele acha que está protegendo. O corporativismo continuará a aumentar o custo da operação. Uma hora a fatura irá chegar.

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