Combate à reforma da previdência interessa aos ricos: privilégios, responsabilidade fiscal e oposição

TERRAPLANISMO

Estão no mesmo patamar os que defendem os benefícios do cigarro, fazem campanha contra vacinas e argumentam (sic) que o Brasil não precisa passar por uma reforma da previdência.

ATRAÇÃO “REALISTA”

Pesquisas de opinião apontam que melhorou e aumentou na sociedade brasileira o entendimento de que a reforma é necessária (veja última sondagem do ibope a respeito). Ainda assim, não são poucos os seres que vendem por aí teses completamente despidas de objetividade sobre o tema. E, sejamos realistas, as narrativas sem pé nos fatos exercem forte atração sobre quem pauta o olhar pelo desejo ou ainda pelos interesses particularistas.

POBRES: OS MAIS PREJUDICADOS?

É falso dizer que os mais pobres serão os mais prejudicados por uma reforma. Não são eles que se aposentam mais cedo e muito menos os que recebem os vencimentos cheios. São os que estão no setor público, trabalham em melhores condições durante toda uma vida e ganham os maiores vencimentos. A previdência hoje é uma máquina de tirar dinheiro da sociedade e entregar aos estratos mais privilegiados do funcionalismo, minguando recursos – o que irá se acentuar nos próximos anos – das áreas sociais.

RICOS DEFENDEM OBSCURANTISMO POR INTERESSE

Faz sentido, portanto, que esses setores mais favorecidos resistam. Protejam os seus bolsos. Porém, não tem a menor lógica os demais – a maioria que paga a conta – aceitar. Vale sentenciar. Apesar de toda campanha promovida, os interesses deles não são os da sociedade. Grupos universitários, advindos do judiciário, do MP, das pastas de tributação, corporações em geral, etc, falam bonito, utilizam linguagem coletivista para comercializarem suas mesquinharias como se coincidessem com a vontade geral. Uma operação já bem demonstrada pelos sociólogos Pierre Bourdieu e Patrick Champagne.

PATAMAR MÍNIMO DE RESPEITO FISCAL INTERSUBJETIVO

Talvez seja pedir demais que uma oposição apresente o mínimo de responsabilidade. Que seja dura nos ataques. Afinal, é seu papel. Mas dentro de patamares fiscais minimamente aceitáveis. No Brasil, no entanto, quem se oponhe ao governo atua para propagandear um estado rico e completamente despido de limites. E é compreensível do ponto de vista explicativo. Na prática, os custos para agir assim são mínimos. Quem defende a atual previdência não vira motivo de chacota como quem alega ser a terra o centro do sistema solar. Pior. Ainda consegue muitos liderados.

OPOSIÇÃO CONCORDA NO ESSENCIAL E ESTÁ PERDIDA

Mas o problema da oposição ao Bolsonaro não vem apenas de uma intransigente posição contra a necessária reforma da previdência. Apesar de brigarem no suplérfuo entre si, PT e os demais concordam no essencial. Isto é, no tipo de estratégia para desidratar Bolsonaro. O PT, praticamente uma extensão das vontades de Lula, Boulos e até o Ciro, que foi o único a defender a necessidade de reformar durante a campanha, prometem incursões nacionais contra o projeto. Enquanto entregam evangélicos, o conceito de família (noção cara ao brasileiro poderia ser mobilizada de tantas formas) e o campo moderado de graça, tentando resguardar o espaço radical da esquerda, nada constroem. Seguem tão perdidos quanto a direita moderada, esfacelada desde que patrocinou o impeachment de Dilma e entregou a perspectiva de poder para Jair Bolsonaro.

SÍNTESE

Claro, é possível, ou melhor, devemos debater à exaustão a melhor reforma. Não há apenas uma maneira. Uma oposição poderia ir por aí. Mas o assunto é importante demais para o nosso futuro, para a gente continuar brincando com ele e fazendo dele cavalo de batalha. Não saíremos da crise sem uma reforma da previdência, inclusive em âmbito estadual. Que a gente não caia no papo de quem abocanha o orçamento de maneira individual como se interesse nacional fosse.

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