Oposição ao governo do RN incentiva a perseguição contra o jornalismo não alinhado em Natal

A oposição pressiona veículos de comunicação não alinhados em Natal, numa tentativa de esvaziar espaços de fala do governo do RN. O pleito estadual se aproxima. Há uma guerra local e um modo distinto de se comunicar na cidade entre o prefeito Álvaro Dias, que já age como pré-candidato, e a governadora Fátima Bezerra, que deverá buscar a reeleição.

A situação já ocorreu na primeira onda e foi ruim para o andamento da pandemia como um todo. Enquanto o prefeito de Natal divulgava calçamento de rua e elevava gastos na área às portas da sua reeleição, ao invés de ação pedagógica através de sua propaganda, existia pressão para que o governo não fizesse contratação de publicidade. O Governo acabou cedendo a um pedido do ministério público, nesse sentido. O MP depois reconheceu o erro.

A oposição local segue com um discurso autoritário e perseguidor contra quem anuncia ações do governo do RN, enquanto o faz tranquilamente da Prefeitura do Natal. Os ataques aos profissionais de comunicação podem ser vistos nas redes sociais.

Dias tem falado mais pelas rádios, ao passo que Fátima pela Tv. Por que Álvaro privilegia as rádios? Porque pode adotar táticas de comunicação bolsonaristas. A direita atua nos grupos de whatsapp e pelas ondas do rádio. Lá ele não é escrutinado e tem uma plataforma para mentir e distribuir culpas pelas suas incumbências. E a ideia aqui não é a de que ele não pode falar. Ele deve. Só que, quando distorce e até mente, não ouve o contraditório jornalístico.

Veja o caso, caro leitor, da falta da 2 dose das vacinas em Natal nesta semana. A prefeitura do Natal não fez a reserva técnica, conforme recomendado. As demais prefeituras fizeram e não atravessam problema semelhante. Na TV o prefeito foi cobrado por isso. Nas rádios, espalha que o governo do RN deve socorrê-lo, como se o Estado escondesse doses do imunizante da população para prejudicar sua administração.

Há na pandemia uma diferença objetiva de qualidade jornalística entre os dois espaços, que é inegável. As rádios, ainda em outro exemplo, foram as grandes responsáveis em Natal pela capilarização do mito da ivermectina – falsos estudos, médicos charlatões e recomendações sem base na ciência e alicerçadas em teorias conspiratórias circularam tranquilamente com as consequências conhecidas. Conforme estudos, a falsa proteção gera a maior exposição ao vírus dos crentes em tratamentos ineficazes. Enquanto isso, ao ser entrevistado pelo jornalismo da InterTv Cabugi, Álvaro Dias foi contraditado sobre a falta de cientificidade da política de distribuição de ivermectina. Apertado, lançou a já histórica pérola – “se o remédio funciona in vitro, funciona em vivos”, um obscurantismo pseudocientífico.

São dois modus operandis. A comunicação oficial de Natal aderiu ao bolsonarismo – quando há algum problema, não presta esclarecimentos e incentiva análises distorcidas no sentido de distribuir culpas para terceiros. Daí a aproximação com o rádio, que hoje se alimenta de polêmicas e liga sua audiência às plataformas do whatsapp e do youtube, ambas dominadas pelo bolsonarismo. Já a comunicação do Estado explica, emite notas, organiza entrevistas coletivas. Por isso a natural aproximação com a TV aberta, que não vivencia essa bolsonarização da comunicação.

Há um desfecho provisório até o momento. O deputado estadual Nelter Queiroz usou seu cargo para tentar meter medo esta semana no governo do RN e na intertv cabugi, alegando que vai analisar os contratos de publicidade. Pura retórica vazia, dado o fato de que tais contratos são públicos e podem ser acessados por ele. Na verdade, tenta colar a imagem na InterTv de petista e usa de seu mandato para pressionar a redação do jornal para que não dê o lado do governo. Em tempos normais, isto seria considerado um ataque à liberdade de imprensa e receberia reprimenda adequada dos sindicatos dos jornalistas.

Até porque, se a preocupação dele e da oposição em Natal fossem os gastos com publicidade, Nelter teria que começar a olhar as contas da própria casa que faz parte. Além disso, a oposição deveria averiguar o crescimento do gasto no quesito da prefeitura do Natal.

O debate simplesmente não é, digamos assim, honesto. A incursão visa unicamente instituir – liberdade para si e silêncio para os oponentes.

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